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Mães moçambicanas choram morte dos filhos

  • Francisco Júnior

Leonor Pchubal ainda chora a morte do filho, Danilo Ismael, num acidente, no ano passado, na Matola

Leonor Pchubal ainda chora a morte do filho, Danilo Ismael, num acidente, no ano passado, na Matola

Mais de duas mil pessoas morrem todos os anos nas estradas de Moçambique. Para além das estatísticas jaz o drama pessoal

Dia 11 de Junho de 2010, uma sexta-feira. Despediu-se da mãe. Foi a uma festa, organizada pela empresa onde trabalhava, e nunca mais regressou.

O carro onde seguia com dois colegas, sofreu um acidente, na Matola, sul de Moçambique.

O condutor estava embriagado. Ia a grande velocidade. Embateu num poste, mas ironia do destino, tanto a pessoa que ia ao volante como o outro passageiro que estava no banco da frente, escaparam ilesos.

A pessoa que ia atrás é que morreu.

E quem estava no assento traseiro era Danilo Ismael, um jovem cuja mãe até hoje, chora de dor, de muita saudade. E dói mais ainda porque ele era filho único. Estava na flor da idade. Tinha apenas 26 anos e já era pai de uma menina de 4 anos.

Leonor Pchubal diz que sonha com o filho todos os dias e que pensa sempre que, um dia, ele voltará à casa.

Leonor Pchubal, mãe de Danilo Ismael, morto no ano passado, num acidente, na Matola

Leonor Pchubal, mãe de Danilo Ismael, morto no ano passado, num acidente, na Matola



E como Leonor Pchubal, há muitas outras pessoas. Pessoas que perderam alguem muito querido ou que sofreram por causa de um acidente de viação.

É o caso de Edviges Lopes. Tem 75 anos. É caboverdiana. Nasceu na cidade da Praia. Veio a Moçambique com 12 anos. Casou-se e teve cinco filhos. Três morreram. E, dos dois filhos, uma está neste momento em Cabo Verde e o outro aqui, em Maputo.

Edviges Lopes sofre. Sofre por ser pobre e por ter um dos membros do corpo praticamente inválido; o braço esquerdo.

No dia 25 de Junho do ano passado, foi atropelada por um transportador. Foi atingida na cabeça. Caiu e fracturou o braço direito.

Já passaram quase 12 meses mas o tempo não consegue afastar o sofrimento.
Ela é doméstica. Antes do acidente, fazia pequenos negócios para sustentar toda a família. Agora, a situação está bem mais complicada. Quase que nada consegue fazer.

Com o braço direito inactivo, é difícil trabalhar. E não é apenas o braço. Diz que sente dores horríveis, na cabeça e num dos ouvidos. E Edviges Lopes é apenas uma. Uma das milhares de pessoas feridas, em consequência da sinistralidade rodoviária.

Por ano, são mais de três mil, segundo estatísticas oficiais.

Um problema muito grave que é extensivo a outros países e que levou as Nações Unidas a adoptarem uma resolução, proclamando o período 2011-2020, como a Década de Acção para a Segurança Rodoviária.

Danilo Ismael, morto moçambicano num acidente de viação

Danilo Ismael, morto moçambicano num acidente de viação

E foi no quadro do lançamento da estratégia que visa reduzir os índices de sinistralidade rodoviária que, no último fim-de-semana, centenas de pessoas marcharam pelas ruas da capital moçambicana.

Uma marcha que tinha em vista sensibilizar as pessoas para que conduzam com cautela e evitem ceifar mais vidas humanas. Quem conduzir, não deve beber.

O apelo de Leonor Pchubal, uma mãe que perdeu o seu único filho, num acidente de viação é que as pessoas e principalmente os jovens sejam mais responsáveis. Evitem beber quando guiam ou entrar em carros conduzidos por pessoas que estiveram a consumir álcool, é o seu apelo.

Os acidentes de viação em Moçambique matam mais de de duas mil pessoas por ano.

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