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Paquistão tenta aproximar-se da China depois do descrédito americano


Paquistão tenta aproximar-se da China depois do descrédito americano

Paquistão tenta aproximar-se da China depois do descrédito americano

Morte de Bin Laden no solo paquistanês terá colocado um dilema ao governo de Islamabad que busca agora novos parceiros

A China e o Paquistão estão a dar importância as suas relações bilaterais de 60 anos, numa altura em que o primeiro-ministro paquistanês Yousuf Raza Gilani de vista a China reuniu-se hoje com o seu homólogo chinês Wen Jiabao.

A televisão chinesa mostrou imagens do dirigente chinês dando boas-vindas ao seu visitante hoje em Pequim.

O primeiro-ministro chinês disse que seja quais forem as mudanças internacionais que vierem a ter lugar, a China e o Paquistão serão sempre bons vizinhos, bons amigos e bons parceiros e irmãos.

O líder paquistanês por seu lado considerou a China de melhor amigo, e adiantou que os dois Estados decidiram promover a defesa das suas relações económicas e culturais ao mais alto nível.

As duas nações estão a celebrar o Ano da Amizade China – Paquistão, para marcar os 60 anos do estabelecimento das relações diplomáticas.

Os dois líderes assistiram a assinatura de vários acordos de cooperação económica e financeira.

Andrew Small um especialista em questões chinesas diz que as recentes tensões entre os Estados Unidos e o Paquistão logo após a morte de Bin Laden deram a visita do líder paquistanês a China uma importância redobrada.

“É uma ocasião para os paquistaneses mostrarem ao mundo, aos Estados Unidos e outros, e para o governo de forma publica mostrar que se as relações com Washington se deterioram bastante, que eles têm outras opções diplomáticas e económicas.”

Esta interpretação é no entanto rejeitada por Dong Wang, professor de Estudos Internacionais da Universidade de Pequim, que acha que o momentum desta visita é uma pura coincidência.

“Penso que esta é apenas a interpretação americana ou a leitura de que o Paquistão quer usar esta visita para mostrar aos Estados Unidos que Islamabad tem outras opções. Também penso que os chineses não iriam fazer o mesmo, se fossem esses os seus cálculos, porque é mais do interesse do Paquistão esta situação. Mas os chineses não podem dizer ao primeiro-ministro paquistanês para não visita-los porque não querem que os americanos fiquem com uma tal impressão.”

O professor Wang diz que apesar da aparente impressão de que a China e os Estados Unidos estejam a competir por uma maior atenção por parte do Paquistão, esses dois países têm as mesmas preocupações em torno desse país. Concluiu Wang dizendo que os Washington e Pequim partilham os mesmos interesses, em ver um Paquistão politicamente estável e activo no combate as ameaças terroristas.

O comércio bilateral entre a China e o Paquistão tem aumentado ano após ano, e actualmente gera um volume financeiro de mais 8,5 biliões de dólares. Os dois países esperam reforçar ainda mais esses laços, mas existem dois problemas que tentam minar esta relação, que sãos os ataques aos trabalhadores chineses no Paquistão e a falta de desenvolvimento económico nos países do Sul da Ásia.

O primeiro-ministro paquistanês, Yousuf Raza Gilani deve avistar-se com o presidente chinês Hu Jintao antes do fim da sua visita a Pequim na Sexta-feira.

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