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Desigualdade racial persiste no Brasil


Desigualdade racial persiste no Brasil

Desigualdade racial persiste no Brasil

Escravatura foi abolida em 1888

Eventos em todo o Brasil marcaram sexta-feira os 123 anos de abolição da escravatura no país. A data foi lembrada com discussões em vários estados brasileiros sobre a situação de exclusão que ainda é realidade da maior parte dos afrodescendentes décadas depois do marco histórico.

Em 13 de Maio de 1888, a assinatura da Lei Áurea impulsionava a libertação dos cerca de 800 mil negros mantidos no cativeiro no Brasil. No entanto, o presidente da Fundação Cultural Palmares, Eloi Ferreira de Araujo, lembra que o Brasil ainda precisa concluir o processo iniciado com a luta dos abolicionistas.

“Colocar fim a escravidão foi um marco legal, jurídico, político extraordinário para o Brasil," disse ele.

"Contudo, nós precisamos avançar para construir políticas públicas que levem à inclusão da população negra brasileira. Os pretos e pardos brasileiros têm que estar incluídos em condição de igualdade de oportunidade. É uma reflexão de que a luta não acabou,” afirma.

Para o presidente da Fundação Palmares, a explicação para tanto atraso na inclusão de negros no Brasil em razões historicas.

“Há uma resistência porque o negro no processo da abolição não teve a oportunidade de ter assegurado o direito a educação, o direito à terra, ao trabalho, a saúde e a moradia," disse ele.

"Aos demais integrantes da nossa nação, imigrantes que chegaram ao Brasil no século 19 e 20, foram dadas oportunidades e direitos como financiamentos e terras. E aos os negros não foi concedido nenhum beneficio dessa forma. Isso atrasou o processo de inclusão da população negra em todos os ambientes da atividade humana no Brasil”, detalha.

“Só agora, recentemente, por exemplo, estamos implementando as políticas de ações afirmativas conduzindo os jovens negros as universidades. Passados 123 anos, só agora com políticas públicas brasileiras é que conseguimos levar cerca de 300 mil jovens, pretos e pardos, para as universidades,” finaliza.

Eloi Ferreira Araújo elenca os principais problemas vividos pelos negros hoje no Brasil, 123 anos depois de terem ganhando a liberdade.

"Na moradia (habitação), estamos avançando, porque o programa Minha Casa Minha Vida é universalista e alcança a população negra, mas precisamos de políticas específicas para pretos e partos," disse ele.

. Precisamos de proteção para as comunidades quilombolas e remanescentes de quilombos. Precisamos também de proteção da cultura negra e todas as religiões de matrizes africanas, além de atenção especial a saúde da população negra”, pontua.

Para o presidente da Fundação Palmares, a segurança está entre os principais problemas do negro brasileiro e merece atenção especial.

“A nossa juventude negra tem sido autor e vítimas por falta de oportunidade e por exclusão, por ter sido levada a situação de desigualdade, sobretudo, nos centros urbanos" disse.

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