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Pacientes de centro de hemodiálise em Benguela aguardam solução definitiva

  • João Marcos

Centro de hemodiálise, Benguela

Ministério das Finanças promete solução imediata, mas 200 doentes criticam pó distribuído

Na província angolana de Benguela, vários pacientes com insuficiência renal passaram mal nessa terça-feira, 14, no segundo dia de greve no centro de hemodiálise, numa altura em que o Governo Provincial propunha aos grevistas uma solução para os seis meses de salários em atraso e fazia apelo ao bom senso.

No fim do dia, o Ministério das Finanças angolano revelou que vai avançar com uma "solução imediata" para as dívidas que levaram à paralisação dos serviços de hemodiálise das unidades hospitalares do Lobito e Benguela.

Sem dar detalhes,o ministério dirigido por Archer Mangueira refere que "está a trabalhar com o Ministério da Saúde para a solução imediata" deste problema, com "a atribuição de uma quota financeira" para atender os seus compromissos com as entidades prestadoras de serviço.

No segundo dia de uma paralisação sem tempo determinado, com a entidade gestora das clínicas à espera de garantias do Ministério da Saúde em relação ao pagamento da dívida, eram visíveis as consequências.

“Houve quem tivesse perguntado quem são os graves, se os que caíram ou os que estão quase a morrer. Já estão na sala dos médicos duas pessoas, com soluços, tontos e com a tensão alta. Por isso quisemos saber quem são os graves, na medida em que, julgamos, graves são todos os que aqui se encontram’’, diz uma interlocutora.

O depoimento de quem esteve à conversa com o director do Gabinete de Saúde, Manuel Cabinda, que abandonava uma reunião infrutífera com funcionários do centro.

Aos pacientes, conforme constatou a VOA, foi distribuído um pó, que vai, segundo dizem, substituir a sessão de limpeza do sangue pelo menos até amanhã.

“Deram este pó para tomar após as refeições, para ver se conseguimos urinar. Não sei como vai ser amanhã, não podemos continuar assim, uma vez que o próprio tratamento já não ajuda, quanto mais o pó. Vai fazer o quê?’’, questiona uma paciente.

A maior parte dos 220 pacientes está com insuficiência renal crónica.

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