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Desconfianças entre Estados Unidos e Paquistão após a morte de Bin Laden


Presidente Barack Obama antes do anúncio da morte de Bin Laden telefonou ao seu homólogo paquistanês assim como os antigos presidentes dos Estados Unidos

Presidente Barack Obama antes do anúncio da morte de Bin Laden telefonou ao seu homólogo paquistanês assim como os antigos presidentes dos Estados Unidos

Washington acusa Islamabad de jogo duplo sob suspeita de ter protegido durante seis anos o líder da al-Qaida

A administração americana exigiu ao governo paquistanês explicações sobre o refúgio de Bin Laden durante seis anos numa cidade militarmente guarnecida do Paquistão.

A iniciativa do governo americano procura responder as criticas sobre o papel do Paquistão na partilha de informações secretas, isso numa altura que aumentam as exigencias mesmo em Islamabad para a apresentação de provas visuais da morte do líder da al-Qaida.

A Casa Branca aproveita o meomento para corrigir igualmente os detalhes do assalto ao complexo residencial de Bin Laden.

O ataque do comando americano ao esconderijo de Bin Laden animou os espíritos, mas as circunstâncias que conduziram a morte do líder da al-Qaida parecem agora ensombrar o governo americano.

Numa primeira declaração sobre a ocorrência membros da administração Obama afirmaram que Bin Laden foi morto ao tentar combater os seus invasores e que na ocasião terá mesmo usado uma mulher como escudo humano.

Menos de 48 horas depois, o governo americano dá o dito por não. Jay Carney é porta-voz da Casa Branca e tentou ontem esclarecer as dúvidas a respeito.

“Bin Laden e sua família foram encontrados no segundo e terceiro pisos do edifício. Houve receios de que ele pudesse se opor a sua captura, e de facto, foi o que fez. No quarto com Bin Laden estava a sua mulher que avançou contra o comando americano e foi atingida numa perna, mas não morreu. Bin Laden foi de seguida baleado e morreu. Ele não estava armado.”

O porta-voz da Casa Branca não explicou se o líder da al-Qaida terá resistido e em quê consistiu essa sua resistência.

Na conferência de imprensa de ontem, Jay Carney adiantou que o governo americano ainda estava a discutir se deve ou não publicar a fotografia de Bin Laden depois de baleado pelos comandos, uma prova visual que o mundo exige nesta altura.

Senador Carl Levin, presidente do Comité das Forças Armadas do Senado, acompanhado do líder da maioria Republicana, Harry Reid reagindo a morte de Bin Laden

Senador Carl Levin, presidente do Comité das Forças Armadas do Senado, acompanhado do líder da maioria Republicana, Harry Reid reagindo a morte de Bin Laden

Ao mesmo tempo que a administração Obama regala-se do incontornável sucesso da operação que conduziu a morte do líder da al-Qaida, a sua relação com Paquistão, o seu maior parceiro regional na luta anti-terrorista está a ser ensombrada por críticas ao duplo papel jogado por Islamabad na perseguição de Bin Laden.

Responsáveis americanos particularmente no Congresso queixam-se do facto do líder da al-Qaida ter encontrado refúgio precisamente numa cidade militar paquistanesa, a menos de dois quilómetros de uma academia militar. Os mesmos interrogam-se se Bin Laden estava ou não em conivência com o governo ou senão com os chefes militares paquistaneses. O congressista republicano, Peter King confessa-se desiludido e diz que as relações com o Paquistão atingiram um ponto decisivo.

“Esta é obviamente uma importante relação, mas ela mudou, desde Domingo, penso eu. Portanto esta vai ser a parte das negociações… dos encontros entre os paquistaneses, a administração Obama e o Congresso.”

A congressista democrata Jackie Speier é muito mais categórica.

“Por todo esse dinheiro que temos gasto, como podemos desenvolver uma relação de confiança com um presidente do governo paquistanês fraco, e um serviço secreto que é maroto.”

Enviado especial americano para o Paquistão e Afeganistão, Marc Grossman em conferencia de imprensa ao lado do seu homólogo paquistanês Salman Bashir

Enviado especial americano para o Paquistão e Afeganistão, Marc Grossman em conferencia de imprensa ao lado do seu homólogo paquistanês Salman Bashir

Do lado paquistanês as respostas as preocupações levantadas pelos políticos americanos, até chegaram em antecipação. Num artigo de opinião publicado na edição de ontem do jornal The Washington Post, o presidente Asif Ali Zardari detalha os esforços do seu governo na luta contra o terrorismo e nega todas as sugestões de que as autoridades paquistanesas tenham dado protecção a Bin Laden.

Para o primeiro-ministro do Paquistão, Yousuf Raza Gilani, o lapso dos serviços secretos do seu país, representa uma falha de todo o mundo, isto numa referência a partilha de informações com os serviços de inteligência americanos.

A Secretária de Estado Hillary Clinton, acabaria por reconhecer essa partilha de responsabilidades, na Segunda-feira quando referiu que a cooperação paquistanesa ajudou para a localização de Bin Laden.

Enquanto as duas partes procuram justificações às eventuais falhas de confiança ou de partilha de informações, o general do exército paquistanês, Ashfaq Kayani, faz a sua prova de pragmatismo ao reagir a morte do líder da al-Qaida.

“Nós nas forças armadas do Paquistão estão completamente ao corrente das ameaças internas e externas contra o nosso país. Foi destruída a retaguarda de apoio ao terrorismo.”

Salman Bashir, ministro dos negócios estrangeiros do Paquistão

Salman Bashir, ministro dos negócios estrangeiros do Paquistão

Mas a crispação crescente entre os Estados Unidos e o Paquistão em torno da presença de Bin Laden durante seis anos em Abbottabad está longe do fim. No encontro de ontem com Mark Grossman o enviado especial americano para o Afeganistão e Paquistão, o ministro dos negócios estrangeiros paquistanês, Salman Bashir deu conta daquilo que descreve como profunda preocupação e reservas do seu governo sobre a forma como os americanos levaram a cabo a missão que conduziu a morte de Bin Laden.

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