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Polícia confisca computadores do Folha 8

  • Alexandre Neto

Foram-se os computadores. Redacção do Folha 8

Foram-se os computadores. Redacção do Folha 8

Acção ligada a foto montagem mostrando presidente e outras figuras políticas como ladrões

Agentes da Direcção Nacional de Investigação Criminal de Angola confiscaram hoje todos os computadores pertencentes ao semanário Folha-8, incluindo 3 unidades de disco duro.

Os oficiais da polícia apresentaram-se na redacção da publicação exibindo um mandato de busca e apreensões, assinado pelo Procurador da República junto da DNIC, João Vemba Coca.

Segundo documento a que a Voz da América teve acesso, a apreensão dos meios informáticos tem relação com “actividade operativa, preparatória por factos que configuram os crimes de Ultraje ao Estado na pessoa do Presidente da República e os Órgãos Executivo”.

No princípio do ano o jornal Folha-8 retomou uma fotomontagem que circulava nas redes sociais, retratando três figuras do poder Executivo, comos e tratassem de presos com letreiros ao pescoço descrevendo-os como ladrões. Entre elas destacava-se Eduardo dos Santos, (presidente da República) Fernando Da Piedade “Nandó”, (Vice-Presidente) e Hélder Vieira Dias “Kopelipa” (Ministro de Estado e Chefe da Casa Militar da presidência da República).

A publicação foi alvo de condenação na imprensa do Estado que entrevistou jornalistas e algumas figuras da sociedade.

William Tonet, director do jornal, pediu subsquentemente desculpas pela publicação que atribuiu a um erro tecnico.

Desde Fevereiro passado que Tonet, o Director da publicação tem sido convocado pela DNIC para responder a perguntas relacionadas com o caso, num processo que ainda não está constituído.

Observadores em Luanda temem que seja este o início dum processo que culminará com o encerramento do crítico jornal.

Fernando Baxe é o editor-Chefe e diz que mesmo com os meios confiscados, a publicação vai saír esta semana.

A nova lei dos Crimes Contra a Segurança do Estado aprovada em 2010, aboliu o artigo 26 nos termos que vinha redigido desde 1978 (Outros Crimes), mas introduziu uma nova figura no seu Artigo 25 (Ultraje ao Estado, seus Símbolos e Órgãos).

Esta é uma situação que suscitou reacções de apreensão por parte da HRW- human rigth watch que pediu a revisão da mesma, por se constituir um obstáculo ao exercício das liberdades fundamentais.


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