Links de Acesso

Mali: Um sistema corrupto que servia uma elite

Será benéfico para a região prestar atenção aos problemas existentes antes do golpe

Corrupção profunda e favoritismo

Quando militares malianos se apoderaram do poder no dia 22 de Março, indicaram estar a depor um presidente que fracassara em controlar uma rebelião no norte.

Muitos malianos sustentam que a situação do sector militar era apenas um sintoma de um problema mais amplo: um sistema corrupto que servia uma elite, enquanto o resto da população era excluída política e economicamente.

Hoje em dia, enquanto os dirigentes regionais procuram o regresso ao regime constitucional, os observadores sustentam que será benéfico para o país e a região prestar atenção aos problemas existentes antes do golpe.

Mali tinha sido citado como um modelo para a democracia na África Ocidental, mas muitos habitantes e analistas consideram que aquela imagem era baseada num profundo desconhecimento da realidade no terreno.

Segundo eles, a corrupção profunda e o favoritismo – e a ausência de oposição política – significava que o maliano médio não tinha voz e pouca oportunidade para evoluir economicamente.

Issa Ndiaye, é professor de filosofia na Universidade de Bamako, na capital maliana.

No exterior, as pessoas bem-intencionadas acreditavam sinceramente na imagem de um governo maliano como uma democracia ideal. Não analisavam a situação no terreno para terem uma compreensão sólida. Com efeito existe uma variedade de jornais e de estações de rádio no Mali – coisas que davam a impressão de que o governo era democrático. Mas não existia debate político, não existia verdadeira democracia.

Desde a primeira eleição multipartidária em 1992, o Mali efectuou sufrágios nacionais em 1997, em 2002 e em 2007. A participação eleitoral foi entre os 30 e os 40 por cento para os sufrágios presidenciais, mais baixa para as eleições parlamentares.

O professor Ndiaye, e outros, sustentam que as eleições se tornaram num ritual.

Os analistas consideram que no seu fervor para condenar o golpe de Estado, as organizações regionais e internacionais estão relutantes em analisar as possíveis causas, por receio de parecerem validar um golpe militar.

Os malianos que pedem uma análise mais profunda para o que desencadeou o golpe, referem que os que se recusam a considerar as razões são pessoas que beneficiaram do “status quo”, e não estão interessadas na mudança.

Com as autoridades malianas e regionais preocupadas agora com a ocupação rebelde no norte e a transição do Mali para um governo civil eleito, alguns observadores indicam ser vital não ignorar as aspirações que foram levantadas, pelo golpe, em muitos malianos.

This item is part of
XS
SM
MD
LG