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Angolano pede que Governo leve a sério situação precária dos estudantes no estrangeiro

  • Danielle Stescki

Jovani Fernandes, estudande de Ciência Política e Relações Internacionais, Universidade de Florença

Desde que Angola entrou em crise económica, financeira e cambial em 2015 os estudantes angolanos no exterior passaram a ter muitas dificuldades para receber dinheiro. A compra de divisas ficou bem mais cara e as transferências quase impossíveis.

Com mais de um ano e meio de crise alguns já abandonaram os estudos e voltaram a Angola. Outros tentam arranjar maneiras de continuar a estudar, mesmo sem poder contar com dinheiro da família.

Segundo Jovani Fernandes, estudante de Ciência Política e Relações Internacionais na Universidade de Florença, Itália, foi entre Agosto e Outubro de 2015 que a situação começou a ficar realmente difícil.

Ele conta que alguns jovens pediram abrigo em casa dos padres e em outras organizações porque foram obrigados a sair das Casas de Estudantes, uma vez que não tinham como pagá-las.

Fernandes considera que a situação dos estudantes está muita crítica. Eles não têm como pagar a renda nem comprar materiais para os cursos, tratar de documentos ou sequer meios de se deslocar a outra cidade para adquirir experiência e ter aulas práticas.

Conforme ele informa, há mais de 20 angolanos a estudar em Florença, e apenas uma minoria tem bolsa de estudos. Mesmo para eles, a situação não é fácil, mas estão em melhores condições do que aqueles que não têm bolsa.

Fernandes pede que o problema dos estudantes seja levado a sério porque estão a ir estudar no exterior para buscar formação e poder voltar a Angola a fim de dar o contributo deles e ajudar no desenvolvimento do país.

Ele acrescenta que para que isso aconteça é necessário que existam as condições certas.

No que toca à compra de divisas pelas famílias nas bancas privadas, Fernandes sugere a criação de uma comissão que fiscalize o dinheiro que o Banco Nacional de Angola (BNA) disponibiliza para essas bancas comprarem.

Confome Fernandes, o que está a ocorrer é que as divisas são disponibilizadas pelo BNA no seu portal na Segunda-feira para que as bancas privadas possam comprar. Quando o familiar de um estudante vai até a banca para fazer a transferência para o exterior acaba ouvindo que a transação não pode ser feita porque não há divisas.

“Quer dizer que tem qualquer coisa que não está bem. O BNA é um órgão estatal. Acho que não estamos a ser sérios. Com uma comissão de fiscalização poderíamos melhorar esta situação”.

Veja a entrevista com Jovani Fernandes para saber também como ele aprendeu italiano e como conseguiu uma bolsa do governo italiano.

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