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Angolano quer abrir escola comunitária gratuita em comunidade esquecida do Andulo

  • Danielle Stescki

Desidério Nungulo, estudante angolano

“Temos que fazer projectos solidários em todas as aldeias de Angola,” afirma Desidério Nungulo.

Desidério Nungulo, de 26 anos, está no segundo ano de engenharia mecânica na Universidade Politécnica de Bucareste, Roménia. Ele é bolseiro do Instituto Nacional de Gestão de Bolsas de Estudo, INAGBE.

Nungulo acredita que a educação é um investimento para o futuro, e a educação infantil é onde tudo começa. Por isso, depois que terminar os estudos na Europa, vai buscar fazer parcerias para abrir uma escola comunitária próxima à missão do Chilesso, município do Andulo, a fim de educar crianças.

Os avós moravam naquela região, e os pais de Nungulo estudaram no Chilesso. Ele, que perdeu o pai durante a guerra e cresceu com a ajuda da mãe e dos tios, quer por sua vez homenagear os pais ajudando a comunidade onde eles cresceram.

A educação em Angola é compulsória e gratuita até os oito anos, mas o Governo admite que há estudantes que não estão matriculados por causa da falta de estabelecimentos escolares e de professores.

“O ensino básico em Angola é difícil porque muitos não têm condições para pôr os filhos na escola, já que têm sempre que pagar por alguma coisa, mesmo que seja numa escola do Estado.”

Um exemplo do que ele está a se referir são os gastos com livros e alimentação.

De acordo com o relatório de 2015 do UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância) intitulado “Criancas e Mulheres em Angola,” o número de alunos matriculados em escolas primárias e secundárias passou de 2,2 milhões em 2001 para 9,6 milhões em 2014.

“Tem muito que ser feito com relação à educação. Os que têm acesso à escola são as populações que estão nas zonas urbanas. Mesmo as que estão nas áreas suburbanas não têm acesso à escola. Há muita criança na rua,” informa Nungulo.

Segundo ele, o Governo deveria implementar mais infraesturturas nas zonas periféricas da cidade.

“Já fizemos a reforma educativa, mas algumas áreas deveriam ser mais regularizadas. Implementa-se, mas não se cumpre”.

Desidério Nungulo conclui que Angola cresceu muito, mas não se desenvolveu ainda.

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