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Análise: futuro de Angola

  • Danielle Stescki

Issau Agostinho quando participou de uma conferência em Berlim em 2017.

Depois das eleições gerais de 23 de Agosto desenvolveu-se uma tensão política com a publicação dos resultados provisórios pela Comissão Nacional Eleitoral (CNE), que deu a vitória ao Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), partido no poder desde a independência do país em 1975.

Na quarta-feira, 6 Setembro, o presidente da CNE, Dr. André Silva Neto, divulgou numa conferência de imprensa os resultados definitivos e confirmou João Lourenço como novo Presidente de Angola, com 61% dos votos para o MPLA.

O sonho de mudança que muitos angolanos almejavam terá de esperar mais cinco anos. Essa espera para alguns tem sindo longa: em torno de 41 anos.

E agora como fica o futuro de Angola, já que o país mudou de presidente, mas continua a ser governado pelo mesmo partido?

O cientista político Issau Agostinho, doutor em Estudos Políticos pela universidade La Sapienza, comentou a pós-eleição em Angola, que comparou com outras eleições no continente africano.

Ele citou os estudos do África Barómetro, órgão que se dedica a estudos e sondagens no continente africano, que indicam que há um conjunto de países que registaram melhorias substanciais na realização de processos eleitorais, como Gana, Cabo Verde e Botswana.

Outros países como a África do Sul e a Namíbia tiveram avanços ainda expressivos, pois os resultados das eleições foram condicentes com a vontade da população, destaca Agostinho.

Para o cientista político, esses dados são indicadores do rumo que a maioria dos países africanos está a seguir com relação ao processo eleitoral.

No que diz respeito a Angola os dados são claros: quatro pleitos eleitorais com os partidos da oposição sempre reivindicando fraude eleitoral. “Foi assim em 1992, em 2008, 2012 e 2017".

O que isso indica? Segundo Agostinho há uma crise das instituições, não só africanas, como também angolanas, e essa crise tem a ver com a falta de credibilidade de acções que vem sendo implementadas por organismos como a Comissão Nacional Eleitoral.

Ele observa que os resultados que a CNE divulgou foram alvo de uma contestação generalizada, não só por parte da oposição como também por parte da maioria da população angolana.

Para Agostinho, enquanto a crise institucional não for resolvida vamos continuar a assistir à repetição e à perpetuação da contestação eleitoral.

Confira a entrevista na íntegra para ouvir o comentário de Issau Agostinho sobre a decisão de um juiz do Supremo Tribunal do Quénia de invalidar os resultados das eleições do dia 8 de Agosto e para ouvir a mensagem dirigida aos compatriotas angolanos.

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