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"Estamos perante presos de consciência", diz Padre Pio sobre sentença contra os activistas

  • Teodoro Albano

Activistas angolanos em tribunal no julgamento em Luanda.

Activistas angolanos em tribunal no julgamento em Luanda.

Jurista diz que a sentença põe em causa a confiança das pessoas nas instituições.

A condenação pelo Tribunal Provincial de Luanda dos 17 activistas pelos crimes de rebelião, tentativa de golpe de Estado e associação de malfeitores na última segunda-feira continua a suscitar reações.

Na Huíla, o jurista Bernardo Moisés Peso diz que em momento nenhum ficou provado materialmente os crimes de que são acusados os jovens, logo, a sentença decretada pelo juiz, Januário Domingos, põe em causa a confiança das pessoas na justiça.

“O papel do juiz é convencer com a sua sentença a sociedade de que realmente foi justo, neste caso não. É uma sentença que põe em causa a confiança das pessoas nas instituições", explica Peso.

Para o padre Jacinto Pio Wacussanga, uma das figuras que chegaram a ser ouvidas no processo por ter constado na lista do suposto governo de salvação nacional, a sentença é de todo injusta.

Para o sacerdote católico, está-se perante presos de consciência e com este tipo de decisões, segundo ele, o país não está a olhar para o futuro.

“Eu faço parte do processo e como parte do processo eu estou revoltado com este tipo de sentença. Infelizmente o país não está a olhar para o futuro. Quando tu crias espaços para as pessoas se manifestarem, enfim para as pessoas expandirem os seus direitos, as liberdades de reunião de associação e de consciência, tu contribuis para criar a estabilidade sócio-psicológica. Quanto tu coartas essas liberdades estás a preparar uma pressão que um dia de um ou de outro modo vai rebentar”, defendeu o padre Jacinto Pio Wacussanga.

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