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Um ano depois das demolições, Bairro da Tchavola continua a marcar passo

  • Teodoro Albano

Lubango, Angola

Lubango, Angola

Pouco mais de um ano depois ainda são tímidos os avanços no bairro da Tchavola nos arredores da cidade do Lubango. Um ano depois apesar do crescimento do bairro, famílias inteiras continuam a viver em casas feitas de chapas e tendas.

Pouco mais de um ano depois ainda são tímidos os avanços no bairro da Tchavola nos arredores da cidade do Lubango.

Um ano depois apesar do crescimento do bairro, famílias inteiras continuam a viver em casas feitas de chapas e tendas.

Ao fim de um ano casas e casebres perfilam-se lado a lado, ou seja, impera na Tchavola uma espécie da lei do mais forte: constrói quem pode.

A viver em tenda há um ano, Sofia Irene, tinha sido assaltada na noite anterior quando viu sua garrafa de gás roubada pelos donos do alheio, diz estar acostumada no novo bairro, mas teme pela criminalidade que ganha terreno na Tchavola;

“De segurança não estamos lá bem, está mesmo mal aqui delinquência, gatunice depois é tenda isso aqui é pano não se escuta praticamente o que está a acontecer, está mal mesmo!”

A fragilidade dos serviços é denunciada pelos habitantes do bairro.

A água chega com dificuldades, falta luz e o único posto de saúde clama por um médico. A escola erguida de ferro e chapas vive uma crise de professores.

O acesso ao bairro é uma verdadeira dor de cabeça devido ao mau estado da estrada revela Agostinho Kamutuex;

“Os carros estão a enterrar até mesmo assim as pessoas que estão a construir os camiões que transportam o material da cidade para cá, não estão a chegar devido a via que está mal.”

E a acompanhar a situação na Tchavola está a Associação Construindo Comunidades, ACC, que desenvolve um projecto de advocacia na comunidade.

Segundo o padre Jacinto Pio Wakussanga, um ano depois a organização que dirige concluiu que o quadro na Tchavola e no bairro da Tchimukua continua precário.

Denuncia por outro lado a morte de seis pessoas nesse período que terá ocorrido por força da frustração na sequência das demolições;

Foram reportadas de acordo com os testemunhos comunitários seis mortos de adultos incluindo três suicídios que teriam resultado de frustração, cinco nados mortos e três crianças todas essas mortes resultantes das péssimas condições de realojamento nessas comunidades. Se realmente os serviços de investigação criminal os serviços do próprio estado puderem confirmar estas mortes as organizações internacionais puderem também confirmar estas mortes isto é muito grave para a imagem do próprio Estado angolano que realmente está no Conselho dos Direitos Humanos das Nações Unidas.”

As demolições ao longo da linha férrea do Caminho de Ferro de Moçâmedes aconteceram em Março de 2010. Na operação foram demolidas 2188 residências.

A Voz da América tentou sem sucesso ouvir reacções das autoridades sobre o assunto.

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