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Estados Unidos adoptam posição firme com a China

  • Paulo Faria

Estados Unidos adoptam posição firme com a China

Estados Unidos adoptam posição firme com a China

A vinda do presidente chinês Hu Jintao aos Estados Unidos coloca-o frente a frente com uma administração Obama que tem vindo a tomar uma posição mais dura sobre o curso do que é visto como o mais importante relacionamento que os Estados Unidos mantêm com uma potência estrangeira.

19 Jan 2011 - A cimeira com Obama será provavelmente a última de Hu Jintao como presidente da China. Ele vai aposentar-se em 2012 e será substituído pelo vice-presidente Xi Jinping. Analistas afirmam que Hu está ansioso por dar brilho ao seu legado como um administrador competente dos laços da China com os Estados Unidos. Mas ele veio encontrar uma administração norte-americana que vê o seu governo com significativas apreensões.

O presidente Obama, no início das suas funções, exprimiu o sentimento de que juntos os Estados Unidos e a China tinham uma oportunidade para resolver muitos dos problemas mundiais. Na verdade, o único de entre os presidentes desde Richard Nixon, Obama começou por usar uma tonalidade suave para com a China.

A secretária de Estado, Hillary Clinton, disse durante uma viagem à China em Fevereiro de 2009 que pressionar o país sobre assuntos de direitos humanos “não pode interferir com a crise económica global, a crise das mudanças climáticas globais e as crises de segurança”. Num outro gesto de boa vontade, Obama tornou-se no primeiro presidente desde a década de 90 a não se encontrar com o Dalai Lama durante uma das viagens do líder tibetano exilado a Washington.

Mas depois de uma difícil cimeira na China em Novembro de 2009, seguida por choques sobre mudanças climáticas e a venda de armas a Taiwan no valor de 6.400 milhões de dólares em Janeiro de 2010, a atitude entre os funcionários norte-americanos mudou.

A decisão da Google de sair da China, alegando que o governo chinês tinha entrado num dos seus servidores, acrescentou tensões ao relacionamento sino-americano. E a oposição ultrajante de Pequim à atribuição do Prémio Nobel da Paz ao dissidente chinês preso Liu Xiaobo, mais convenceu os Estados Unidos de que a China não estava interessada em acomodar as preocupações do Ocidente sobre direitos humanos.

Em Julho, a secretária Clinton liderou um grupo de 11 países do Sudeste Asiático na resistência às reclamações da China sobre todo o Mar do Sul da China. Na frente económica, a administração Obama aplicou tarifas aduaneiras a bens chineses e esta a desafiar a política de energias limpas da China. A administração Obama deu ordens ao Banco Export-Import dos Estados Unidos a tomar a medida sem precedentes de igualar as percentagens de financiamento abaixo do mercado em importantes acordos comerciais internacionais.

As tensões entre os dois países também cintilaram sobre como lidar com a crise na Península Coreana, com um destacado funcionário da administração Obama a acusar a China de “possibilitar” a atitude quase de guerra da Coreia do Norte.

Daniel Kliman, do Centro para uma Nova Segurança Americana, é de opinião de que a administração Obama alterou a sua estratégia para com a China. Obama começou a sua administração aparentemente pensando que poderia obter apoios em Pequim fazendo favores à China. Esta noção parece ter-se dissipado. Kliman disse que a administração Obama chegou à conclusão de que manter-se firme é a atitude mais efectiva para lidar com a China.

A nova atitude esteve em evidência na semana passada quando Obama se encontrou com dissidentes chineses e advogados de direitos humanos e discutiu como poderia usar o poder dos Estados Unidos a pressionar a China a melhorar os seus registos.

Antes disso, o secretário do Tesouro, Timothy Geitner, afirmou que queria que se a China quisesse ver progressos nos seus pedidos para um melhor clima de investimento nos Estados Unidos e mais acesso a tecnologia americana, tinha de aceitar melhor os pedidos dos Estados Unidos para que a China autorizasse a subida do valor da sua moeda e abrisse os seus mercados a firmas norte-americanas. No passado, os Estados Unidos evitaram tais ameaças.

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