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Trump ainda sem reconhecer resultados eleitorais


Apoiantes de Donald Trump

Estados poderão começar a certificar resultados já esta semana

Duas semanas após as eleições presidenciais e legislativas americanas, a Administração Trump continua a recusar dar ao Presidente-eleito Joe Biden acesso a departamentos do governo federal, o que nos Estados Unidos é normal num processo de transição de uma administração para outra.

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É o meio de assegurar que quando o novo Presidente assume o poder no final de Janeiro aqueles que ele escolheu para comandarem os diversos departamentos estão a par do que se passa nas suas respectivas áreas, quais os principais problemas e outras questões que estão por resolver ou possam surgir.

Isso não tem acontecido porque o Presidente Donald Trump não aceitou ainda o resultado das eleições e a sua campanha iniciou várias acções em tribunal tentando suspender o resultado em vários Estados que eram vitais para a sua vitória e onde Biden - há que dizer - venceu por muito poucos votos. Até agora essas acções pouco sucesso tiveram.

Os membros de duas organizações do governo americano, o Conselho de Coordenação Governamental de Infraestruturas Eleitorais (GCC na sigla inglesa) e a Agência de Ciber-segurança e Segurança de Infra-Estruturas (CISA) juntamente com a Associação de Secretarias de Estado dos estados americanos, da Associação Nacional de Directores Eleitorais Estaduais e membros do Conselho de Coordenação de Infraestruturas Eleitorais emitiram um comunicado conjunto em que descreveram as eleições do passado dia 3 como as mais seguras da história americana, acrescentando “não haver provas que qualquer sistema de votos eliminou ou perdeu votos, mudou votos ou foi de algum modo comprometido”.

Laurence Tribe professor de direito na Universidade de Harvard diz que não existe qualquer possibilidade da campanha de Trump vencer em tribunal, mas disse considerar que as acções de Trump são perigosas para o país.

“Os próprios Republicanos sabem que as declarações de Trump de que os votos de Biden são fraudulentos não têm qualquer mérito porque se essas declarações fossem verdade então aqueles Republicanos também foram eleitos com fraude ou por erro porque estavam nos mesmos boletins” disse o professor Tribe, para quem apesar de saber que as acções da campanha do Presidente não têm mérito há razão para preocupação “porque ele está a minar a democracia, porque há milhões de pessoas que acreditarão nele apesar de nada haver nos seus argumentos e não haver qualquer prova para as apoiar”.

Se é verdade que entre a maioria dos legisladores Republicanos não há até agora qualquer declaração oficial de reconhecer a vitória de Biden o facto é que também não tem havido declarações afirmando ter havido fraude. E entre conhecidas figuras do Partido Republicano são muitas as vozes que dizem que não há qualquer dúvida que Biden venceu.

"Trump perdeu em eleições livres e justas” – John Bolton

John Bolton na VOA, 24 junho, 2020.
John Bolton na VOA, 24 junho, 2020.

Uma dessas vozes é John Bolton que foi conselheiro de segurança nacional do próprio presidente Trump antes de ter sido demitido. Bolton é uma figura Republicana muito crítica de Trump mas a sua opinião reflecte a de muitos outros dentro do partido ele disse ser “muito importante que os líderes do Partido Republicano expliquem aos nossos eleitores - que não são tão estúpidos como pensam os Democratas - que de facto Trump perdeu a eleição e que as declarações de fraude eleitoral não têm qualquer fundamento”.

“Donald Trump perdeu naquilo que vimos até agora foi uma eleição livre e justa”, acrescentou.

Há que deixar o processo jurídico seguir os seus trâmites - Jurista

Mas o jurista Ken Starr que foi juiz num tribunal de apelação e foi também um Procurador federal e agora é reitor da Universidade Baylor diz que há que ter paciência, porque o sistema americano “foi desenhado para verificar....e é isso que está a acontecer agora”.

“Não se apressem a fazer julgamentos”, disse o jurista para quem é necessário deixar “o processo seguir em frente tal como no caso de Bush contra Gore que decorreu durante 37 dias”.

Starr referia-se à controvérsia na primeira eleição de George W Bush quando os resultados eleitorais no Estado da Flórida que lhe deram a vitória acabaram no Tribunal Supremo.

O antigo conselheiro de George W. Bush, Karl Rove, disse no entanto num artigo escrito no Wall Street Journal não haver qualquer prova de fraude.

Rove lembrou por outro lado que, para além de ter que vencer em acções em vários Estados e ter que anular vantagens que se mostram difíceis de superar, o Presidente Trump tem à sua frente outros problemas: os Estados vão começar a certificar os resultados eleitorais. A Geórgia já no próximo dia 20, Pensilvânia e Michigan a 23, Arizona a 30 de novembro e Wisconsin e Nevada a 1 de Dezembro.

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