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Polícia e Guarda Nacional retomam controlo do Congresso americano


Donald Trump perde apoio de vice-presidente e outros importantes republicanos, enquanto empresários pedem a demissão do Presidente

Forças policiais, apoiadas por forças para-militares da Guarda Nacional, recuperaram o controlo total do edifício do Congresso americano que horas antes havia sido invadido por apoiantes do Presidente Donald Trump que tentaram impedir a confirmação pelas duas câmaras da vitória de Joe Biden nas presidenciais.

Isto ao mesmo tempo que alguns dos mais acérrimos defensores do Presidente o abandonavam, aprofundando assim uma divisão dentro do Partido Republicano que, ontem perdeu também o controlo do Senado a favor do Partido Democrata.

Uma mulher morreu depois de ter sido atingida a tiros em frente ao edifício do Congresso, mas, até agora, desconhece-se ainda a origem dos disparos.

A meio da tarde, apoiantes de Trump penetraram no edifício do Congresso durante a sessão e os congressistas tiveram que ser evacuados de emergência.

Um dos manifestantes entrou nos escritórios da presidente da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, e foi fotografado sentado na sua cadeira com um pé em cima da secretária.

Ouro manifestante foi fotografado sentado na cadeira do presidente do Senado e outras imagens mostraram guarda-costas dos congressistas a apontarem armas a manifestantes que tentavam entrar no edifício.

Republicanos viram-se contra Trump

Vários republicanos culparam o Presidente pelos acontecimentos.

O antigo candidato à Presidência Mitt Romney disse que o que se passou “foi causado pelo Presidente, foi uma insurreição”.

O senador republicano Lindsey Graham, um dos mais fortes aliados de Trump no Congresso, emitiu um comunicado afirmando “concordar totalmente” com uma declaração feita pelo Presidente-eleito Joe Biden em que este afirmou que as acções dos manifestantes “se aproximaram da sedição”, mas no qual sublinhou, por outro lado, que o que se passou foi levado a cabo por “um pequeno número de extremistas dedicados a violarem a lei”.

“O trabalho de momento e o trabalho para os próximos quatro anos tem que ser a restauração da democracia, da decência, da honra, do respeito, do primado da lei, da decência pura e simples”, disse o Presidente eleito.

Caos no Congresso
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Mike Pence afasta-se de Trump

Horas antes, o Presidente Trump tinha perdido o apoio do vice-presidente Mike Pence que declarou não poder anular o resultado das eleições, enquanto presidente da sessão conjunta do congresso, para confirmar a vitória de Biden como Trump o tinha exortado a fazer

“É minha opinião estudada que o meu juramento de apoiar e defender a Constituição impede-me de reivindicar a autoridade unilateral para determinar que votos eleitorais devem ser contados e quais os que não devem ser contados”, escreveu Pence numa carta dirigida aos legisladores em que terminou afirmando: “Que Deus me ajude”.

De seguida, Trump acusou, no Twitter, o vice-presidente de “não ter a coragem para fazer o que tinha que fazer para proteger o nosso país e a nossa Constituição”.

Depois da invasão do Congresso por apoiantes de Trump, Mike Pence disse que todos aqueles que violaram a lei devem ser levados à justiça.

“As manifestações pacíficas são um direito de todos os americanos, mas este ataque ao nosso Capitólio não pode ser tolerado e os envolvidos serão levados à justiça com todo o peso da lei”, escreveu.

Trump pede fim da violência mas apoia manifestantes

Face às crescentes pressões que se seguiram, o Presidente Donald Trump fez uma declaração na qual afirmou que “temos que ter paz”, mas expressou apoio aos manifestantes afirmando que “conheço a vossa dor, sei que estão magoados”.

Trump voltou a repetir que “tivemos umas eleições que nos foram roubadas”, apelando depois aos manifestantes para “irem para casa, temos que respeitar a lei e a ordem” e descreveu ainda os manifestantes como pessoas “muito especiais”.

Horas antes, ao se dirigir aos manifestantes, Trump encorajou-os a marchar em direcção ao Congresso.

Apelos para a destituição de Trump

Fora do campo político-partidário, a Associação Nacional de Fabricantes, que representa as grandes indústrias americanas, através do seu presidente Jay Timmons - conhecido por apoiar causas republicanas - emitiu um comunicado em que exortou o vice-presidente Mike Pence a evocar a emenda 25 da constituição para demitir o Presidente “ e preservar a democracia”.

A emenda 25 regulamenta a transferência de poderes do Presidente para o vice-presidente em caso de morte ou incapacidade do Chefe de Estado.

Um dos parágrafos dessa emenda afirma que o vice-presidente pode assumir o poder se ele “e a maioria dos principais funcionários dos departamentos do Executivo ... transmitirem ao presidente do Senado e ao presidente da Câmara uma declaração por escrito que o Presidente não tem capacidade para exercer os seus poderes e deveres”.

Por outro lado, a chamada Mesa Redonda Empresarial, que representa directores de muitas das maiores empresas da América, descreveu os acontecimentos na capital como “resultado de esforços ilegais para se derrubar os resultados legítimos da uma eleição democrática”.

“O país merece melhor e a Mesa Redonda Empresarial apela ao Presidente e todas as entidades relevantes a porem fim ao caos e a facilitar a transição pacífica do poder”, disse aquela organização.

À hora da edição desta notícia, o Senado tinha retomado a sessão, presidida pelo vice-presidente Mike Pence, que, com a Câmara dos Representantes, deve, confirma a vitória de Joe Biden.

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