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Moussa Faki Mahamat: "África não pode ser reserva eterna para uns e lixeira para outros"


Moussa Faki Mahamat, presidente da Comissão da União Africana

A África não pode ser reserva eterna de uns e lixeira de outros e deve quebrar a dependência do exterior, defendeu o presidente da Comissão da União Africana (UA), Moussa Faki Mahamat, numa mensagem a propósito do Dia de África que se assinala nesta segunda-feira, 25.

A pandemia da Covid-19 veio recordar de "forma ensurdecedora" a urgência do continente em pensar por si só e depender dele e não dos outros, reiterou aquele responsável.

Para Mahamat, num mundo em que o multilateralismo está a ser "gravemente posto à prova", África "deve deixar de esperar pela salvação vinda de outros".

"África não pode continuar a dar-se por satisfeita com este papel de reserva eterna para uns, de lixeira para outros", desafiou o presidente da Comissão Africana, para quem “a pandemia da Covid-19 nos recorda, com uma voz ensurdecedora, a necessidade imperiosa de quebrar esta dependência do mundo exterior através do duplo imperativo de vivermos dos nossos recursos e de nos orientarmos rumo à industrialização".

O presidente da Comissão da UA desafiou os líderes nacionais e continentais a traçar o seu próprio rumo porque, reiterou, “a dependência e insegurança alimentar são inaceitáveis e intoleráveis, tal como o estado das suas infraestruturas rodoviárias, portuárias, de saúde e de ensino", quando “a África tem os recursos necessários para dar uma resposta suficiente às necessidades das suas populações".

Por isso, sublinhou, a opção tem de ser "por uma abordagem inovadora, mais introvertida do que extrovertida".

Para Moussa Faki Mahamat, este "movimento de introversão e confiança" das forças africanas será central para o "renascimento" do continente.

A propósito da Covid-19, ele elogiou a resposta africana à pandemia “para grande surpresa daqueles que sempre a consideraram pouco, mobilizou-se nas primeiras horas da pandemia, foi desenvolvida e imediatamente implementada uma estratégia de resposta continental".

Aquele político natural do Chade, reiterou que "a única forma de conter a Covid-19 e as suas consequências desastrosas, de garantir a nossa suficiência alimentar, de criar milhões de empregos, de salvar as centenas de milhões dos nossos cidadãos hoje gravemente expostos a pandemias e perigos de todos os tipos, é a de uma verdadeira onda de solidariedade para uma resiliência africana verdadeira, forte e duradoura".

Recorde-se que o Dia de África assinala a criação da Organização da Unidade Africana, a 25 de maio de 1963, que, em 2002, passou a chamar-se União Africana.

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