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Myanmar:  Manifestantes contra a Junta Militar  pedem uma "revolução da primavera"


Protesto em Myanmar, 2 de Maio, 2021 ( Shwe Phee Myay News Agency)

"Derrubar a ditadura militar é a nossa causa", dizem os manifestantes

Milhares de manifestantes anti-golpe marcharam em Myanmar, neste domingo, 2, pedindo uma "revolução da primavera", com o país no seu quarto mês sob regime militar.

Cidades, áreas rurais, regiões montanhosas remotas e até mesmo territórios fronteiriços controlados por rebeldes têm estado em alvoroço desde que os militares depuseram a líder civil Aung San Suu Kyi, no golpe de 1 de Fevereiro.

A junta tem como objectivo suprimir a dissidência por meio de uma repressão brutal envolvendo prisões em massa e um número crescente de mortos.

As manifestações começaram cedo no centro comercial de Yangon, quando os activistas pediram uma demonstração de força e uma "revolução de primavera".

Os jovens se reuniram numa esquina antes de marchar rapidamente pelas ruas, dispersando-se logo em seguida para evitar confrontos com as autoridades.

"Derrubar a ditadura militar é a nossa causa!" eles cantavam, acenando uma saudação de três dedos de resistência.

No leste do estado de Shan, os jovens carregavam uma faixa que dizia: "Não podemos ser governados de forma alguma."

A imprensa local informou que as forças de segurança perseguiam e prendia os manifestantes.

"Eles estão a prender a todos os jovens que vêem", disse uma fonte em Yangon à AFP, acrescentando que estava escondido.

"Agora estou preso."

As explosões de bombas também ocorreram em diferentes partes de Yangon no domingo. As explosões têm acontecido com frequência cada vez maior na ex-capital, e as autoridades culpam os "instigadores".

Derramamento de sangue em todo o país

Até o momento, as forças de segurança mataram 759 civis, de acordo com o grupo de monitoria local, a Associação de Assistência a Presos Políticos (AAPP).

A junta - que rotulou a AAPP de organização ilegal - disse que 258 manifestantes foram mortos, junto com 17 policiais e sete soldados.

A violência irrompeu novamente no domingo, às 10h, no município de Hsipaw, no estado de Shan, quando as forças de segurança abriram fogo contra os manifestantes, matando pelo menos um.

"Ele levou um tiro na cabeça e morreu imediatamente", disse um manifestante, que disse que correu para esconder o corpo do seu amigo, caso as autoridades tentassem retirá-lo.

“Eles estão a pedir oseu cadáver, mas nós não os daremos ... Teremos seu funeral hoje”, disse ele à AFP.

No norte do estado de Kachin, as forças de segurança também atiraram contra os manifestantes, chegando a lançar granadas contra a multidão.

Um homem de 33 anos foi baleado na cabeça, disse um outro manifestante à AFP, acrescentando que muitos outros ficaram feridos no ataque.

"Todos eles tiveram que ser tratados numa área escondida. Eles não puderam ir ao hospital para tratamento ou seriam presos", disse o manifestante.

Os centros urbanos se tornaram focos de agitação, especialmente em Yangon, onde os moradores compartilham vídeos de forças de segurança espancando civis nas ruas.

Ataques nocturnos e prisões também são comuns, com informantes relatando às autoridades sobre pessoas suspeitas de estarem ajudando o movimento anti-golpe.

O jornal estatal Mirror Daily reportou que uma mulher acusada de apoiar um governo paralelo clandestino que se opunha à junta foi sentenciada por um tribunal militar a sete anos de prisão e trabalhos forçados.

Ela foi presa em North Dagon Township em Yangon - que está actualmente sob lei marcial - após a polícia invadir a sua casa e pesquisou os seus aplicativos de mensagens no Facebook e Telegram.

Manchetes mundo 22 Fevereiro: Mianmar - Manifestantes voltaram às ruas desafiando a ameaça da Junta do uso de força letal
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