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Matias Damásio: "Todo mundo está envolvido nesta causa"


Matias Damásio, cantor e compositor

Como está a solidariedade em Angola? Será que está a aumentar? Conversamos com o cantor e compositor Matias Damásio para saber a opinião dele, o que mais o preocupa como cidadão, se algo de positivo aconteceu na vida dele durante a pandemia do coronavírus, e muito mais.

O cantor fez um live solidário de três horas e meia que foi transmitido no seu canal do You Tube, na sua conta do Instagram e também no canal TPA no dia 3 de maio. Segundo Damásio, quase noventa toneladas de alimentos foram arrecadados.

O cantor se surpreendeu com a generosidade dos doadores, principalmente com aqueles que se uniram para partilhar do pouquinho que tinham.

"Dez pessoas se reuniram para oferecer uma cesta básica. A solidariedade está nas pessoas com mais necessidades. As pessoas que têm menos doaram para as pessoas que precisam".

E acrescentou: "O mundo começou a perceber que somos todos iguais. Estamos todos vulneráveis. Não há rico, não há pobre. Não há inteligente, não há menos inteligente. Não há classes neste momento. As pessoas estão mais solidárias porque acho que este vírus também veio para nos dizer que somos todos mortais, iguais".

Além de tudo de bom que aconteceu no live, Matias Damásio tem testemunhado também boas ações nas ruas. Recentemente viu um grupo de pessoas na rua distribuindo refeições para os mais necessitados.

"Eu acho que está aqui a crescer uma coisa que tinha morrido em nós durante muito tempo. Eu sinto que começa a se desabrochar. Há muita solidariedade neste momento. As pessoas estão mais próximas, estão a perceber que o mundo só se salva se tivermos um projeto conjunto".

Entrevista exclusiva com Matias Damásio
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Matias Damásio disse que Angola, de maneira geral, tem estado a atravessar a pandemia de uma forma inteligente. Enfrentar o coronavírus em um país que tem um povo festivo, que gosta de compartilhar tudo, estar próximo e abraçar é um desafio para os angolanos.

Não é só artista...

O cantor e compositor disse que para combater o coronavírus todo mundo está envolvido em Angola: empresários, artistas, pessoas particulares, singulares. "Cada um tem dado o seu contributo".

E acrescentou: "Acho que esta luta tem sido possível porque há um envolvimento muito grande da sociedade civil, das pessoas, e nós temos visto todo o tipo de iniciativas vindas de todos os quadrantes. "O vírus do amor tem que superar o vírus do coronavírus".

Há algo de positivo nesta pandemia?

Matias Damásio tem uma rotina de trabalho que afeta a sua família intensamente. Ele passa 234 dias do ano dormindo em quartos de hotel. Quando os filhos nasceram, a rotina já era puxada, e a distância aumentou com a internacionalização da carreira artística.

O cantor revelou que esta é a primeira vez em 15 anos que ele está direto com os filhos, bem como tem a oportunidade de conviver e refletir. Esse tempo que ele tem passado com a família e os filhos tem ajudado Damásio a "detectar determinados erros e até aprender determinadas coisas. Valorizar a importância do tal abraço, que hoje ficou muito especial para todos".

A arrecadação de quase 90 toneladas de alimentos durante a live no dia 3 de maio foi outro ponto positivo destacado pelo cantor. Oito a nove mil famílias em Luanda, Kwanza Sul, Malanje, Bié, Huambo, Huíla, e Benguela vão se beneficiar das cestas básicas arrecadadas. As entregas serão feitas às sextas e sábados e até o final do mês tudo deverá ser distribuído.

Qual é a maior preocupação de Matias Damásio?

O cantor contou que a sua maior preocupação como cidadão é com as sequelas pós-coronavírus. "Estamos a caminhar para um colapso económico mundial, já há países que tecnicamente faliram e financeiramente faliram."

Como artista, a sua maior preocupação é com a data da volta ao trabalho. "Nós fomos os primeiros a sair e seremos os últimos a entrar em cena. Eu já cancelei concertos desde janeiro. Neste momento estou com cerca de quase 60 concertos cancelados". A preocupação de Damásio não é simplesmente com o número de concertos cancelados, mas sim com o facto de ninguém saber ou de não haver uma resposta de quando as coisas vão voltar a uma certa normalidade e ele poderá trabalhar, e se as poupanças vão aguentar.

Matias Damásio terminou a entrevista deixando uma mensagem que pede que as pessoas sejam pacientes, perdoem, ajudem o próximo quando puderem, e pediu para que o amor seja o principal antídoto para nós combatermos o vírus.

"Devemos ficar em casa, tomar conta das nossas famílias, usar máscara quando sairmos. É importante para nós, é um dever civíco. No final do dia, sem sombra de dúvidas, a chuva pode até demorar algum tempo, a noite pode ser longa, mas o dia vai chegar com certeza".

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