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Huambo: Líder comunitário ameaçado de morte por dar entrevista à VOA


António Miguel, de -shirt branca e boné verde, rodeado por outros membros da Comunidade da Etunda

António Miguel, de -shirt branca e boné verde, rodeado por outros membros da Comunidade da Etunda

Depois de ter dado uma entrevista à VOA, Chico da Silva foi "visitado" em sua casa por homens armados

O porta-voz de uma organização angolana de defesa dos direitos dos camponeses recebeu ameaças de morte,depois de ter dado uma entrevista à VOA, onde anunciava a intenção de processar o governador do Huambo.

Chico da Silva, porta-voz da Cooperativa Tchipangalo começou a ser alvo de intimações desde que concedeu uma entrevista à Voz da América, manifestando a pretensão da sua organização em processar o governador do Huambo, Faustino Muteka, alegadamente por expropriação ilegal de terras e despejos forçados das comunidades camponesas.

À VOA, Chico da Silva disse que, dias depois da publicação da notícia por este órgão de comunicação, homens supostamente armados invadiram a sua residência à noite, tendo proferido ameaças de morte.

“ As pessoas que orientaram isso penso que deviam ter uma postura mais civilizada, tal como nós fizemos”- disse Chico da Silva, acrescentando:“Se eu tiver cometido em algum crime, alguma difamação na entrevista,as pessoas devem processar e nós vamos responder”

A Cooperativa Tchipangalo tem vindo a lutar pela defesa dos direitos dos camponeses da comunidade da Etunda,que perderam as suas terras.Segundo aquela organização,os camponeses ficaram sem o terreno que garante o pasto a mais de 500 cabeças de gado do povo e foram destruídas as plantações da mandioca,milho e outras culturas, para se abrir caminho à implementação de um projecto imobiliário. As lavras perdidas serviam de suporte alimentar a mais de cinco mil famílias daquela comunidade,conforme explica um dos camponeses:“Estamos a sofrer!O tal campo com que nos remediávamos foi tirado, somos desempregados, não há mais nada que mata senão a fome,” lamentou-se um dos camponeses.

António Miguel, vive há 61 anos naquela comunidade. Disse que a brutalidade do governo angolano é pior que a do regime colonial português:“Nós sabíamos que, para acabar com a fome tínhamos, que produzir!Mas, hoje, o governo nos tira as lavras. Quando é que vamos acabar com a fome no país,” questionou Miguel, afirmando com olhos cheios de lágrimas - “Isso nos dói e dói mesmo”

A Cooperativa Tchipangalo alega que a aldeia da Etunda está perante uma privação ilícita de lavras de camponeses desde 2009. A comunidade da Etunda diz que o governo apropriou bens da população da Aldeia Etunda Melica obrigando cada família receber o equivalente a 100 dólares por lavra e casa. Hoje a aldeia tornou-se numa fazenda agrícola.

Os cooperantes acusam as autoridades governativas de terem recorrido ao uso excessivo da força e prisões ilegais para reprimir os camponeses que protestavam contra aquela medida do governo.

A Voz da América tentou ouvir as autoridades da província, mas estas remeterem os pronunciamentos para a próxima quinta feira.

Pasto na Etunda

Pasto na Etunda

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