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Benguela: Centro para vítimas das cheias vai ser encerrado

  • João Marcos

Governador manda as vítimas falar com Bento Kangamba que foi quem lhes prometeu casas.

O Governo de Benguela anunciou o encerramento do centro de concentração do Camuringue, onde se encontram 300 famílias que perderam as casas em consequência das chuvas de Março. O governador mandou os moradores procurarem Bento Kangamba que lhes prometeu casas.

Enquanto o governador procedia à distribuição de alicerces, na urbanização dos Cabrais, vários cidadãos reiteravam que não possuem dinheiro para construir uma casa condigna.

Isaac dos Anjos afirma que as famílias terão de suportar as chuvas e outras intempéries, uma vez que o desmantelamento das tendas é irreversível.

Os cânticos ouvidos quando Isaac dos Anjos chegava ao ordenamento Biópio/Culango disfarçavam a preocupação de quem não vê como conseguir de sete a oito mil dólares norte-americanos.

Esse é o custo da mão-de-obra para uma habitação adequada.

Nem mesmo a existência de algum material de construção, doado aquando da campanha de solidariedade, tranquiliza as famílias sinistradas.

Houve mesmo quem quisesse saber se as pessoas terão de viver em alicerces.

«Nós estamos aqui, sem emprego, não temos como construir uma casa destas”, disse um dos moradores.

“Do jeito que o senhor administrador falou (…) prometeram dar casas. Estamos com as crianças aqui, se calhar vamos morar mesmo nestas bases, não conseguimos construir», acrescentou

Os sinistrados fizeram questão de apresentar algumas sugestões.

"Já que não temos dinheiro, era melhor que o Governo construísse pelo menos um quarto e uma sala. Temos família, lá onde estamos, no Camuringue, já estamos a passar mal. O Governo podia construir casas, nós pagávamos rendas durante vários anos. Ficaria muito satisfeita, gostaria muito», disse outra habitante

Mas o Governo de Benguela não pensa desta forma.

"Nós estabelecemos prazos, estamos a cumprir, estamos a encerrar o centro provisório, isto é que deviam colocar hoje”, disse o governador.

“Se não construírem, vão apanhar chuva, vão ficar ao relento”, adverti Isaac dos Anjos.

Isaac dos Anjos aproveitou os microfones para enviar recados a quem prometeu casas aos sinistrados.

«Devem perguntar ao Bento Kangamba, o governador não se responsabiliza pelo que os outros dizem», avisou.

Nos Cabrais, a 30 quilómetros da cidade de Lobito, estão ainda 70 alicerces para as famílias que já lá residem há vários anos.

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