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O Coronel Gadhafi é bem recebido nos países do Sahel


Moammar Gadhafi

Moammar Gadhafi

Os novos dirigentes de Tripoli estão mais interessados na Europa

Apesar de ter sido afastado por rebeldes, o dirigente líbio Moammar Gadhafi continua a manter alguma popularidade da zona africana do Sahel, após anos de investimento líbio e a percepção de que os novos dirigentes de Tripoli estão mais interessados na Europa.

Procurado no país, o coronel Gadhafi é melhor acolhido no sul da Líbia, nos países do Sahel, onde investiu milhões de dólares em projectos públicos e privados.

Uma coluna de viaturas transportando apoiantes de Gadhafi atravessou na passada segunda feira para o Níger, e o Burkina Faso ofereceu asilo ao deposto dirigente líbio, embora um porta voz governamental tenha, posteriormente, retirado a oferta.

Shehu Sani, é o presidente do Congresso dos Direitos Civis da Nigéria e o autor do livro intitulado “Ditadores Civis em Africa”.

Sani sustenta que o coronel Gadhafi ainda é bem visto pela geração de Africanos que beneficiaram das suas benfeitorias.

“Gadhafi investiu muito do dinheiro líbio na melhoria das condições humanas das populações como o Níger e o Burkina Faso. No norte da Nigéria, existem milhares de jovens a que foram oferecidas bolsas pelo regime de Gadhafi para estudar na Líbia e em alguns países do Médio Oriente e no mundo”.

O coronel Gadhafi foi durante muito tempo o maior financiador da União Africana bem como da Organização de Unidade Africana que a antecedeu. Utilizou a riqueza do petróleo líbio para apoio aos países vizinhos com dívidas, e diz Sani, parece esperar agora recolher os benefícios dos actos praticados.

“A oferta dada pelos governos da África Ocidental, em especial do Burkina Faso, tem a ver com o facto de Gadhafi ter apoiado, durante muito tempo, aqueles governos. Chegou agora a altura de demonstrarem apreço vindo em minha ajuda neste momento de necessidade”.

Milhares de trabalhadores migrantes da Nigéria, do Níger, do Mali, do Burkina Faso, e do Ghana encontraram trabalho na Líbia quando não tiveram possibilidade de chegar à Europa.

Para muitos no Sahel, sustenta Sani, as remessas desses migrantes obscureceram os abusos domésticos de Gadhafi.

O regime de Gadhafi foi particularmente próximo dos Tuaregues nómadas do Níger e do Mali, muitos dos quais juntaram-se ao seu exército e parecem integrar agora a equipa avançada que prepara o seu exílio.

Ataques de retaliação contra Africanos têm levantado preocupações sobre os novos dirigentes líbios. Sani adianta que o Conselho Nacional de Transição parece estar muito mais envolvido com os seus apoiantes Europeus e da NATO do que com a União Africana e as nações do Sahel com quem o regime de Gadhafi manteve relacionamento intimo.

“Não é popular por causa das imagens de Africanos negros a serem detidos e torturados por elementos do governo rebelde o que constitui muito mau sinal. O que o governo rebelde necessita de fazer agora é estender a amizade aos países do Sahel e àqueles que beneficiaram de Gadhafi. Sem isso, a estabilidade e a paz na Líbia nunca estará garantida. “

Dados os laços de longa data do regime de Gadhafi com grupos rebeldes do Sahel, Sani considera que os novos dirigentes de Tripoli devem agir rapidamente para impedir que os adjuntos de Gadhafi utilizem aquelas redes contra eles.

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