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Costa do Marfim: Nações Unidas apelam à criação de corredores humanitários


Costa do Marfim: Nações Unidas apelam à criação de corredores humanitários

Costa do Marfim: Nações Unidas apelam à criação de corredores humanitários

Foram descobertos mais de uma centena de corpos ao oeste do país, numa altura que o presidente eleito prometeu julgar os responsáveis de crimes políticos

As agências humanitárias das Nações Unidas pediram hoje a criação de corredores humanitários na Costa do Marfim de forma a aceder a milhares de pessoas que estão a fugir da violência.

O Alto Comissariado da ONU para os refugiados indicou ter acolhido desde Quarta-feira cerca de 5 mil deslocados na zona de fronteira com a Libéria.

O representante do Alto Comissariado da ONU para os Refugiados na Libéria disse a nossa reportagem que uma nova chegada massiva de refugiados começou a ser registada ao meio desta semana.

Ibrahima Couli refere que este êxodo de deslocados deve-se a ocorrência de combates por toda a Costa do Marfim e não apenas a cidade de Abidjan.

“A situação humanitária esteve calma até a última Quarta-feira, quando começamos a receber os refugiados em números inabituais. Actualmente e depois deste ultimo movimento estamos a 4475 pessoas no centro de transição e temos outras três a quatro mil pessoas que ainda não foram registadas.”

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados estima que mais de 150 mil refugiados encontram-se actualmente nos países vizinhos da Costa do Marfim.

Meia dezena de agências humanitárias das Nações Unidas e várias outras organizações não governamentais de assistência humanitária estão presentes nas zonas de fronteira entre a Costa do Marfim, e a Libéria, Guiné Conacri, e o Ghana com a missão de proteger esses refugiados na sua maioria provenientes de regiões outras que a cidade de Abidjan.

“Tivemos muito poucos que chegaram de Abidjan. Mas os que chegam de Abidjan partiram de lá há quase um mês e disseram-nos que permaneceram em Tabou durante duas semanas. Hoje posso lhe garantir que temos mais de 123 mil refugiados costa-marfinenses registados na Libéria. Sei que no Ghana eram cerca de 3 a 4 mil na Guiné entre 1500 e 2000.”

Segundo o representante do HCR na Libéria a maioria dos refugiados chega da região de Tabou, e algumas centenas têm percorrido o país durante mais de duas semanas.

Além das cerca de 4500 pessoas recenseadas depois da Quarta-feira e presentemente nos centros de transito, existem outras 3 a 4 mil em vias de serem registadas.

Ibrahima Couli defende por isso a criação de corredores humanitários, cujo apelo foi feito hoje pelas agências humanitárias das Nações Unidas.

“Portanto esse corredor humanitário permitiria não apenas a população de sair das zonas de risco mas também as organizações humanitárias de lhes assegurar o necessário para se protegerem e aceder a uma zona mais segura.”

No interior da Costa do Marfim, o PAM – Programa Alimentar das Nações Unidas - prevê distribuir na próxima semana ajuda alimentar a cerca de 30 mil deslocados na região de Danané no oeste do país, e a 20 mil outras em Bouaké, Korhogo e Bouna no norte, e Tiébissou no centro.

Costa do Marfim: Nações Unidas apelam à criação de corredores humanitários

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Enquanto isso, as forças leais ao eleito presidente Alassane Ouattara mantêm o cerco a residência de Laurent Gbagbo em Abidjan.

Investigadores das Nações Unidas descobriram entretanto mais de uma centena de corpos a oeste do país, que pensam ser vítimas de violência étnica.

A descoberta dos investigadores do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos teve lugar ontem, e os funcionários da ONU pensam que os corpos são das vítimas de violência étnica no oeste da Costa do Marfim.

A porta-voz da Agencia dos Direitos Humanos da ONU, Rupert Colville disse que 40 dos corpos foram descobertos na cidade de Duékoué são supostamente das vítimas de uma acção de mercenários liberianos.

Valerie Amos é coordenadora da Missão da ONU e fala do que viu.

"Duzentos corpos foram encontrados num local. Noutros existem também corpos mas não sabemos claramente quantos são. Fui levada por exemplo a um poço, onde existem corpos no interior. Não sei qual será o número exacto dessas descobertas.”

O Tribunal Penal Internacional através do seu procurador-geral, Luís Moreno-Ocampo já fez saber que não serão amnistiados os crimes políticos praticados durante a crise política costa-marfinense. O presidente Alassane Ouattara que ontem dirigiu-se pela primeira vez ao país, prometeu investigações completas sobre as violações dos direitos humanos, e disse que os responsáveis por esses actos serão punidos.

Aqui em Washington, a Secretária de Estado Hillary Clinton se associou ao Secretário-geral das Nações Unidas para denunciar o que chamaram de “ataques inaceitáveis contra os capacetes azuis” na Costa do Marfim, indicou o seu porta-voz do Departamento do Estado Mark Toner.

Costa do Marfim: Nações Unidas apelam à criação de corredores humanitários

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Em Abidjan e no seu primeiro discurso aos costa-marfinenses,o presidente eleito Alassane Ouattara anunciou que “foi erguida uma barricada em volta da residência presidencial onde se encontra refugiado o presidente cessante Laurent Gbagbo, e os seus mercenários” como forma de garantir a segurança dos residentes do bairro.

O novo presidente da Costa do Marfim disse igualmente ter dado ordens aos responsáveis das suas forças para que seja garantida a ordem pública e a segurança dos bens, bem como a liberdade de circulação em todo o país.

“Pedi que as sanções impostas pela União Europeia aos portos de Abidjan e de São Pedro e sobre certas entidades públicas do feito ilegítimo de Laurent Gbagbo fossem levantadas”

O presidente Ouattara disse ter pedido igualmente ao Banco Central da África do Oeste para reabrir as suas agências da Costa do Marfim de forma que os bancos comerciais possam retomar as suas operações e pagar os salários logo que possível.

Entretanto Toussaint Alain, um dos conselheiros de Laurent Gbagbo disse hoje que o presidente cessante não abdicará do poder. Alain que falava a partir de Paris sublinhou que Gbagbo está na terra dos seus ancestrais, e que não abandonará o seu povo.

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