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Triagem de candidatos a asilo nos países de origem, decidem líderes europeus e africanos

  • Redacção VOA

Emmanuel Macron (direita) e Angela Merkel (esquerda), Paris, 28 de Agosto

Cerca de 121 mil pessoas chegaram à Europa pelo mar este ano; mais de 2.400 morreram ou desapareceram fazendo a travessia pelo Mediterrâneo.

Um grupo de líderes europeus e africanos vai criar um plano que permitirá a triagem dos candidatos a asilo nos seus países de origem, uma tentativa de evitar que façam a viagem arriscada pelo Mar Mediterrâneo.

A decisão foi tomada, segunda-feira 28, num encontro, em Paris, organizado pelo presidente francês, Emmanuel Macron, para encontrar formas de lidar melhor com a migração ilegal.

Macron disse que aquela era "a resposta imediata e eficiente" para a crise.

"O facto é que certos grupos - contrabandistas de armas, contrabandistas humanos, traficantes de drogas e grupos ligados ao terrorismo, que transformaram o deserto africano e o Mar Mediterrâneo em cemitérios - são os mesmos que estão profundamente ligados ao terrorismo ", disse Macron.

A Organização Internacional para as Migrações diz que cerca de 121 mil pessoas chegaram à Europa pelo mar este ano, a maioria na Itália. Mais de 2.400 pessoas morreram ou desapareceram fazendo a travessia.

Os dados desta organização indicam que os países com mais pessoas que chegam à Itália por mar são a Nigéria, Bangladesh, Guiné, Costa do Marfim e Mali.

A declaração conjunta de segunda-feira ressalta a necessidade de iniciar o reassentamento de refugiados no Chade e no Níger, na perspectiva de bloquear os contrabandistas que levam as pessoas pelo deserto e despacham em embarcações para a Europa.

Refugiados
Refugiados

Esse processo permitiria a entrada legal de refugiados na Europa se estiverem na lista de elegibilidade da agência de refugiados das Nações Unidas e registados pelas autoridades do Níger e Chade.

O chefe da agência das Nações Unidas para os refugiados, Filippo Grandi acolheu o plano, mas realçou que a abordagem orientada para a redução de novas entradas não resolverá o problema.

"Qualquer abordagem deverá incluir um conjunto de acções que possam garantir uma paz duradoura nos países em conflito, assim como o desenvolvimento social e económico nos países de origem,” disse Grandi.

O presidente do Niger, Mahamadou Issoufou, disse que o plano inclui acções de desenvolvimento para que os contrabandistas abandonem o mundo do crime.

"Como líder africano, acho insuportável milhares de africanos morrerem no deserto, no Mediterrâneo. Por isso, estou fortemente empenhado em acabar com esse fluxo de migrantes, essa migração ilegal ", disse Issoufou.

O presidente do Chade, Idriss Deby também fez referência aos desafios impostos pela pobreza e pouca escolaridade dos que tentam chegar à Europa.

A chanceler alemã, Angela Merkel, disse que a garantia de chegada à Europa apenas poderá ser possível se forem feitas distinções entre o que ela chamou “verdadeiros refugiados” e os que preferem sair dos seus países por outras razões.

Os que pretendem ir à Europa por “razões económicas”, disse Merkel, deverão ficar nos seus países.

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