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Somália: População ainda considera a al-Shabab uma ameaça

Refugiados somalis convidados a registarem-se num campo de acolhimento no sudeste da Etiópia
Refugiados somalis convidados a registarem-se num campo de acolhimento no sudeste da Etiópia

Grupo terrorista tem forçado os somalis a aderirem a sua ideologia sob pena de serem alvos de ataques e raptos

Um relatório das Nações Unidas publicado este mês indica que metade da população quer abandonar o país apesar da melhoria das condições de segurança e da formação de um novo governo.

O correspondente da VOA em Nairobi, Mohammed Yusuf diz que os que fugiram do país ainda veem a al-Shabab, o grupo associado a al-Qaida, como uma ameaça para as suas vidas como para o futuro da Somália.

Em 2008, Ismail Maalim Ahmed trabalhava para a Organização Mundial da Saúde na região da Bay na Somália. Naquele ano, em Julho ele foi alvo de um ataque da al-Shabab.

"Eu trabalhava para a OMS como supervisor sanitário. Al-Shabab raptou-me num local a 25 quilometros de Baidoa e levou-me para uma zona remota. Primeiro pediram-me a boleia. Quando chegamos a aldeia pediram-me para descer do veículo e apontaram-me logo com a arma e disseram-me que eu infiel e espião e dispararam 9 vezes contra mim, - contou Ahmed."

A vítima foi abandonada e com poucas probabilidades de sobrevivencia. Ainda ainda Ahmed pôde andar e percorrer uma distancia de 7 quilómetros durante cerca de 8 horas. Acabou por encontrar o socorro e foi transportado para a cidade de Dinsoor. No dia seguinte foi evacuado para tratamento em Nairobi.

Depois de passar 3 meses na capital queniana Ahmed regressou a Dinsoor, porque segundo ele queria conhecer a razão pela qual a al-Shabab pretendia mata-lo.
A organização terrorista continuava no entanto a considera-lo como uma ameaça, e deu-lhe um ultimato para abandonar o país no prazo de 24 horas.

A história de Ahmed é o exemplo do tipo de pressões que a al-Shabab tem exercido sobre os somalis para fugirem do país.

O relatório das Nações Unidas indica que apesar de melhorias obtidas nos ultimos dois anos no que se refere a segurança, os somalis não se convencem que a situação irá se melhor, e metade da população procura refúgio em outros países.

A falta de oportunidades internas tem também permitido que a al-Shabab recrute facilmente jovens para combaterem pela sua ideologia.

Um outro relatório da Human Rights Watch publicado em Fevereiro passado realçava que o grupo de milícias intensificou o recrutamento de crianças para as suas fileiras. As famílias e crianças que resistirem a esse procedimento fazem face a severas consequencias e as vezes até a morte.

Apesar da al-Shabab estar a perder o seu campo de acção nos últimos meses, os somalis ainda receiam das ameaças que incorrem por parte dos membros desta organização terrorista.
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