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Presidente da Guiné-Bissau propôs ao Conselho de Estado dissolver o Parlamento


Úmaro Sissoco Embaló, Presidente da Guiné-Bissau, 30 de De zembro de 2020

Sem a presença do primeiro-ministro, o órgão consultivo do Presidente da República recomendou a Umaro Sissoco Embaló seguir o processo imposto na Constituição

O Presidente da Guiné-Bissau propôs ao Conselho de Estado reunido nesta quarta-feira, 17, dissolver a Assembleia Nacional Popular (ANP) e convocar eleições antecipadas, mas o órgão de consulta do Chefe de Estado recomendou a Umaro Sissoco Embaló seguir o processo constitucional, disseram à VOA fontes do encontro que pediram o anonimato.

Depois de ter avançado com a proposta no encontro, ao qual faltou o primeiro-ministro Nuno Gomes Nabiam, o Presidente aceitou a opinião dos conselheiros que lhe recomendaram voltar atrás e ouvir todas as partes envolvidas, nomeadamente os partidos políticos, antes de convocar, outra vez, o Conselho de Estado.

As mesma fontes acrescentaram que, depois de analisar a situação política e social do país, tema principal da reunião, Embaló decidiu avançar com o processo.

Nos próximos dias, o Presidente da República vai contactar os partidos políticos e outros orgãos de soberania e, segundo as mesmas fontes, deverá então reunir o Conselho de Estado antes de dissolver o Parlamento.

Após a dissolução da ANP, as eleições legislativas têm de ser realizadas num período de 90 dias.

Tensão com primeiro-ministro

O primeiro-ministro, membro por direito próprio do Conselho de Estado, órgão de consulta do Presidente da República, não justificou a ausência.

Entretanto, nos círculos políticos de Bissau é já evidente o mal-estar entre o Presidente da República e o primeiro-ministro.

Durante o acto comemorativo do Dia das Forças Armadas na terça-feira, 16, Umaro Sissoco Embaló não cumprimentou Nuno Gomes Nabiam, nem à entrada do estádio, onde o primeiro-ministro foi recebê-lo, nem na tribuna de honra, embora tenha saudado as demais personalidades antes de discursar. Também no discurso, não se referiu ao chefe do Governo, embora o tenha feito em relação aos visitantes estrangeiros.

Questionado por jornalistas, Gomes Nabiam desdramatizou esse tenso clima político e disse que a sua relação com o Chefe de Estado é normal e que não está agarrado ao poder.

“Ninguém exerce funções de Estado pensando que é permanente. Portanto qualquer dia Nuno vai sair como primeiro-ministro e virá outro primeiro-ministro”, disse à imprensa ontem.

Antes, no domingo, 14, à chegada a Bissau, o Presidente disse a jornalistas para esperarem pela “reacção” dele nesta quarta-feira, 17, dia em que se realizaria uma reunião do Conselho de Estado e voltou a admitir demitir o Governo.

“Não posso permitir desordem. O país está a enfrentar greves permanentemente que, de certa forma, é desgastante”, afirmou o Presidente guineense, para quem o primeiro-ministro não foi eleito. “Fui eu que fui eleito. Há limites. Não vou ser aquele Presidente...”, referiu.

Na segunda-feira, por seu lado, o primeiro-ministro comunicou ter convidado uma equipa estrangeira para investigar o caso do avião “misterioso”, depois de, no dia anterior, Embaló ter informado que o avião é de uma empresa da Gâmbia que quer operar na Guiné-Bissau e que “não são bandidos”.

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