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PGR de Angola pede apreensão de bens de Irene Neto em Portugal e Luxemburgo


Irene Neto, filha do primeiro Presidente de Angola, Agostinho Neto

A Procuradoria-Geral da República (PGR) de Angola enviou à sua congénere de Portugal e de Luxemburgo cartas rogatórias a solicitar a apreensão dos bens de Irene Neto, esposa de Carlos São Vicente, antigo presidente da empresa seguradora AAA, e filha do primeiro Presidente Agostinho Neto.

A confirmação foi dada à VOA pelo porta-voz da PGR, quando contatado sobre a notícia avançada na sexta-feira, 18, pelo jornal português Expresso da confiscação das contas de Neto em Angola.

“Enviamos cartas rogatórias a Portugal e Luxemburgo para o efeito”, respondeu Álvaro João.

As medidas que visam a filha do primeiro Presidente angolano surgiram um dia depois do Dia do Herói Nacional, que homenageia Agostinho Neto, e depois das autoridades suíças terem bloqueado uma conta do esposo com 900 milhões de dólares e de um interrogatório de várias horas de que o empresário foi alvo na terça-feira, 15, na PGR.

São Vicente está indiciado por crimes de peculato, participação económica, tráfico de influência e branqueamento de capitais e, segundo apurou a VOA, pode voltar a ser ouvido na próxima semana.

Queda do império

Depois da conta ter sido congelada na Suíça, Carlos São Vicente viu arrestados vários prédios e hotéis IKA espalhados por todo o país e o congelamento da participação de 49 por cento que detém no Standard Bank para onde terá canalizado como capital 100 milhões de dólares.

Com várias empresas subsidiárias e contas em bancos em vários países fiscais em nome de familiares e controladas pessoalmente por ele, inclusive uma em nome da esposa, Irene Neto, quem ocupou posições de destaque no MPLA.

Sonangol investigada

As nossas fontes admitem que vários antigos dirigentes da Sonangol e empresários ligados a empresas com negócios com a petrolífera podem ser chamados a depor nas próximas semanas.

Na quarta-feira, 16, a Sonangol confirmou em comunicado que está a ser investigada pela Direção Nacional de Investigação Penal (DNIAP) sobre a origem e transferência de centenas de milhões de dólares para contas controladas pelo empresário Carlos São Vicente, proprietário da companhia AAA.

Na nota, a empresa disse ser do domínio público que esteve “na génese da criação” da companhia de seguros AAA, que durante anos teve o monopólio dos seguros ligados à industria petrolífera, mas assegurou que tem estado a cooperar “com total transparência com os órgãos da justiça na prestação de toda a informação que importa para o esclarecimento dos fatos".

Isabel dos Santos "ataca"

Na sexta-feira, 18, em entrevista à rádio MFM, em Luanda, a empresária Isabel dos Santos revelou que os cerca de 900 milhões de dólares encontrados na conta Carlos São Vicente, proprietário da seguradora AAA, podem ser o resultado de vários anos de sobrefaturação aos seguros da companhia petrolífera estatal Sonangol.

Ela disse que durante a sua gestão à frente da Sonangol, junho de 2016 a novembro de 2017, descobriu e anulou vários contratos devido à superfaturação dos preços, e, entre eles, estavam os com a seguradora AAA, de Carlos São Vicente, que detinha o monopólio desses seguros para a indústria petrolífera.

Isabel dos Santos contou que, de acordo com levantamentos feitos pela sua gestão, a Sonangol podia poupar 70 por cento com os seguros e, por isso, fez um novo contrato “com valores muito mais baixos”, com outra empresa.

A ex-PCA da Sonangol Ainda assegurou que a empresa pagou entre 400 e 500 milhões de dólares a mais por ano por seguros dos petróleos, o que ao longo dos 10 anos em que a petrolífera estatal foi parceira da AAA as perdas potenciais poderão ter atingido um total de quatro mil milhões a cinco mil milhões de de dólares.

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