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Oposição angolana classifica de vazia visita de António Costa a Luanda


Primeiro-ministro português António Costa

Lisboa e Luanda reforçam relações económicas

A visita que o primeiro-ministro português António Costa realiza a Angola desde segunda-feira, 17, está a provocar os mais variados tipos de reacção no meio político.

Oposição angolana reage à visita de António Costa - 2:30
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Enquanto o Governo e vários observadores destacam o facto dela desbloquear relações entre dois países próximos que estiveram envolvidos em disputas políticas e judiciais nos últimos anos, a oposição entende que a visita é vazia.

António Costa será recebido nesta terça-feira, 18, pelo Presidente João Lourenço, um encontro que deve “normalizar” as relações entre Lisboa e Luanda.

Por agora, o ministro angolano das Finanças, Archer Mangueira, estimou em 105 milhões de dólares a dívida já certificada de entidades públicas a empresas portuguesas e a não certificada na ordem dos 350 milhões de dólares.

O primeiro-ministro português saudou “a transparência de Angola” neste assunto, com Luanda a prometer saldar 90 milhões da dívida.

António Costa também anunciou o aumento da linha de crédito para empresas portugueses que exportam para Angola de mil milhões de euros para 1.500 milhões de euros.

Os dois executivos também assinaram um acordo que evita a dupla tributação nos dois países.

A UNITA entende que tanto Angola como Portugal deviam abster-se “de operações de chantagem política” para conseguirem os seus intentos.

O vice-presidente da maior força política da oposição, Raúl Danda, pede que as relações sejam marcadas pelo respeito.

"Nem Angola nem Portugal deviam usar de chantagem para, de repente, dizerem que querem isso ou não aquilo, as relações devem basear-se no respeito mútuo e Portugal não se devia baixar tanto, deve haver mais verticalidade”, diz Danda, quem defende “regras definidas para que os
angolanos cá e lá sejam respeitados e os portugueses cá e lá também".

Para a CASA-CE, a visita de António Costa a Angola não tem nada de vulto.

"Do ponto de vista de conteúdo da visita não há quase nada de substantivo, tirando o acordo sobre a dupla tributação, não vemos nada de importante, por isso achamos que a visita acaba por representar politicamente mais uma demonstração do que propriamente de cooperação", sustenta o vice-presidente Lindo Tito.

Em Cabinda, associações cívicas e de direitos humanos dizem que a visita do Chefe do Governo português não devia resumir-se apenas a Luanda.

"Qual é o programa real de António Costa o que veio fazer a Angola? O primeiro-ministro devia ter coragem de passar por Cabinda e ver o seu antigo protectorado, o povo de Cabinda sempre se bateu pela sua auto-determinação incluindo de Portugal, que devia intermediar as negociações para uma solução entre Angola e o território de Cabinda”, afirma o activista Arão Tempo, que acrescenta que, desta forma “demonstra claramente interesses ocultos que põem em causa os direitos e aliberdade do povo de Cabinda".

A visita do primeiro-ministro português a Angola termina hoje.

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