Luiz Inácio Lula da Silva assumiu neste domingo, 1, o terceiro mandato como Presidente do Brasil, com a promessa de lutar pelos pobres e pelo meio ambiente e "reconstruir o país", após a administração divisiva do antigo Presidente da direita Jair Bolsonaro.
Um mar de torcedores vestidos de vermelho enfrentou o calor escaldante para inundar Brasília e aplaudiu exuberantemente Lula enquanto ele seguia um Rolls-Royce aberto, acompanhado pela primeira-dama Rosangela "Janja" da Silva e pelo vice-presidente Geraldo Alckmin e esposa "Lu" Alckmin.
No seu discurso, o novo Presidente apresentou uma visão geral dos últimos quatro anos sob o Governo de Bolsonaro, com duras críticas nomeadamente contra a política ambiental e económica, a forma como combateu a Covid-19 e o clima de perseguição instalado, e disse que o seu Executivo vai enfrentar o um legado de declínio económico, aumento da pobreza e cortes de financiamento em saúde, educação e ciência.
“Sobre essas terríveis ruínas, prometo reconstruir o país, junto com o povo brasileiro”, disse ele, prometendo lutar pelos brasileiros pobres, pela igualdade racial e de género e pelo desmatamento zero na floresta amazónica, onde a destruição aumentou sob o Governo de Bolsonaro.
"Povo brasileiro" entrega faixa presidencial
A cerimónia de posse começou com um minuto de silêncio em memória da lenda do futebol brasileiro Pelé e do ex-papa católica Bento XVI, que morreram nos últimos dias.
Com um fato azul e gravata, Lula foi então conduzido do Congresso ao palácio presidencial do Planalto, escoltado por dezenas de guarda-costas, no maior esquema de segurança alguma vez montado no Brasil.
Com o Presidente cessante fora do país, de onde saiu na sexta-feira, 30, que recusou-se a entregar a faixa presidencial, Lula recebeu a faixa de oito cidadãos seleccionados para representar o povo brasileiro, entre eles um professor, um deficiente, um menino precoce de 10 anos, o renomado líder indígena Raoni Metuktire e uma varredoura de rua.
Um Lula emocionado começou a chorar, agradecendo ao povo brasileiro por sua fé nele e prometeu lutar por um país mais justo.
Governar para todos e defesa da democracia e liberdade
Ele também estendeu um ramo de oliveira aos muitos brasileiros que não votaram nele na eleição, na vitória por 50,9 por cento, contra 49,1 por cento de Bolsonaro.
"Governarei para todos os 215 milhões de brasileiros", garantiu Lula da Silva, quem reiterou que, como disse no dia da vitória, a 30 de Outubro, “não existem dois Brasis. Somos um só país, um só povo”.
No início do seu terceiro mandato, Lula da Silva fez uma forte defesa da democracia e da liberdade.
"Sob os ventos da redemocratização, dizíamos 'ditadura nunca mais'. Hoje, depois do terrível desafio que superamos, devemos dizer 'democracia para sempre'", afirmou o Presidente que reiterou que “hoje, nossa mensagem ao Brasil é de esperança e reconstrução”.
“O grande edifício de direitos, de soberania e de desenvolvimento que essa nação levantou a partir de 1988, vinha sendo sistematicamente demolido nos anos recentes. É para reerguer esse edifício de direitos e valores nacionais que vamos dirigir todos os nossos esforços”, disse Lula, que, sem citar o seu antecessor, assegurou que irregularidades na pandemia devem ser investigadas.
Posse de ministros e revogaçao de medidas de Bolsonaro
Após a posse e os dois discursos, um no Congresso e outro para as milhares de pessoas que assistiram a cerimónia de posse, o Chefe de Estado foi directo ao trabalho.
Ele começou por dar posse a 37 ministros e, de seguida, assinou uma enxurrada de medidas para reforçar os regulamentos de controlo de armas cortados por Bolsonaro, revogar as reversões de protecções ambientais do ex-Presidente e reviver o Fundo Amazónia, apoiado internacionalmente, para proteger a floresta tropical.
Lula enfrenta inúmeros e urgentes desafios na maior economia da América Latina, como reiniciar o crescimento económico, conter o desmatamento desenfreado e cumprir sua ambiciosa agenda de combate à pobreza e à desigualdade.
Enquanto isso, os mercados observam com nervosismo como Lula da Silva financiará as suas promessas no campo social, tendo em conta que a economia brasileira está de rastos.
Milhares de brasileiros acompanharam em pessoa a posse de Lula da Silva, que foi saudado por 65 delegações estrangeiroas, a maior presença da história num evento no Brasil.
Entre os Presidentes, um rei, chefes de Governo, ministros dos Negócios Estrangeiros, estiveram João Lourenço, José Maria Neves, Umaro Sissoco Embaló e Marcelo de Sousa, Presidentes de Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau e Portugal, respectivamente.
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