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A capital angolana é a mais densamente habitada cidade de Angola. Inicialmente projectada para uma população a rondar os 500 mil habitantes, é hoje uma cidade superpovoada com mais de cinco milhões de habitantes.

A celebração de mais um aniversário de fundação da capital angolana foi marcada por críticas à sua administração.

O psicólogo social Carlinhos Zassala critica o crescimento alegadamante desastroso de Luanda resultante da falta de planificação.

O docente universitário entende que devido a uma falha na adopção de uma política urbana, a capital angolana está a conhecer uma situação de crescimento insustentável principalmente nas zonas periféricas, onde há problemas de saneamento, gestão, urbanização, criminalidade e a deficiente mobilidade urbana.

Palácio de Ferro em Luanda
Palácio de Ferro em Luanda

A zona central de Luanda está dividida em duas partes, a Baixa de Luanda (a cidade antiga) e a Cidade Alta (a nova cidade). É no antigo casco urbano onde estão concentrados os grandes serviços sociais em detrimento do crescimento desordenado das zonas periféricas, de acordo com o psicólogo social Carlinhos Zassala, para quem é importante uma maior atenção ao interior de Angola de onde têm origem os grandes êxodos com destino à Luanda.

Zassala diz ser tempo de se pensar uma política de êxodo urbano: "Criar condições no interior no sentido de a população começar a dirigir-se para o interior ali onde a vida padreia ser melhor. Tem de existir a política que na China se chamou revolução verdade".

Desde 2015 que Angola vem enfrentando uma crise económica e financeira que forçou a paralisação de vários projectos do governo angolano. O sector da saúde na capital angolana não ficou de fora.

Para além do surto de cólera que tem estado a assolar a cidade, a escassez de vacina antí-rábica é outro problema. Vários são os cidadãos mordidos por cães que são obrigados a adquirir as vacinas anti-rábicas para humanos ao preço de 14 mil kwanzas, cerca de USD 150. Nos hospitais públicos a vacina não aparece, os pacientes têm de recorrer aos serviços privados de saúde, o que nem sempre é fácil.

Os médicos em Luanda, reclamam melhores condições de vida. Fernanda Cazamba é medica pediatra e fala da sua actividade profissional em Luanda, onde o baixo salário, é inaceitável: "Não é aceitável nem aqui, nem em nenhuma parte do mundo" disse quando questionada se está satisfeita com o salário que aufere.

Os jovens engraxadores em Luanda contam que reduziu de forma acentuada o número de pessoas a engraxarem sapatos, devido o actual contexto socioeconómico que o país vive.

Dos quatro a cinco mil kwanzas que anteriormente arrecadavam diariamente, hoje apenas conseguem amealhar entre mil e mil e quinhentos kwanzas em consequência da fraca procura.

Em relação aos 441 anos de fundação da cidade de Luanda, assinalados a 25 de Janeiro, o docente universitário Albino Pakissi pede que se olhe para cidade com mais seriedade no que toca ao saneamento básico. O académico defende a realização das autarquias locais.

A escritora Kanguimbo Ananz defende que, independemente de ser uma prática ilegal, é importante o cadastramento dos vendedores ambulantes. Em mesa redonda, segundo a autora do livro "Fenómeno vendedores nas ruas de Luanda", onde devem participar especialistas diversos, deve-se buscar uma solução melhor. Mas, ressalta que é importante o envolvimento do Ministério das Finanças.

Por ocasião dos 441 anos da cidade de Luanda, o Governador da província garantiu que esforços estão a ser feitos para melhorar os indicadores de qualidade de vida, não obstante as restrições financeiras que o país vive. Higino Carneiro apontou intervenções feitas em sectores como reabilitação das vias rodoviárias, a humanização dos serviços de saúde, saneamento básico, o aumento da rede escolar e os esforços para controlar a criminalidade.

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