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Itália: Já morreram mais padres do que médicos, vítimas do coronavírus


Um padre e o filho de uma mulher que morreu na cerimónia fúnebre da mulher, em Seriate, um local próximo de Bergamo, Itália. 20 de março, 2020

Eles vêm para abençoar aqueles que mais sofrem com o novo coronavírus. E então, cada vez mais, os padres da Itália morrem.

A diocese de Bergamo, nordeste de Milão, parece ter sido a mais devastada pelo "assassino furtivo", coronavírus.

Pelo menos dez dos seus padres morreram de COVID-19, informou o jornal católico Avvenire na quinta-feira.

As mortes, sejam de padres ou de membros de suas comunidades, são "tão numerosas que é difícil contar", escreveu o jornal.

Mais cinco fatalidades foram registadas na cidade de Parma. Ainda mais mortes por vírus surgiram entre padres em Brescia, Cremona e no centro industrial do norte de Milão.

Todas essas paróquias estão agrupadas no norte da Itália, alvo do vírus desde o dia em que a primeira morte do país católico foi registada há quatro semanas.

Mais de 3.400 italianos morreram do vírus desde então.

A Itália assumiu o sombrio título de epicentro global da pandemia originada na China, onde o COVID-19 foi relatado pela primeira vez no final de dezembro de 2019.

- Morrendo mais do que médicos -

Como os médicos, os padres da Itália entram em contato com os casos mais graves da doença.

E, como médicos, sabe-se que os padres se reúnem em locais próximos, criando as condições perfeitas para o contágio.

Uma contagem da agência de notícias italiana ANSA na quinta-feira elevou o número de médicos mortos pela doença em 13.

Os números divulgados pela media italiana sugerem que o número de mortos entre os padres é maior. Pelo menos 18 padres morreram.

"Vestindo uma máscara, um boné, luvas, uma túnica e óculos de proteção, os padres andam pelos corredores como zumbis", disse o padre Claudio del Monte à agência de notícias italiana Adnkronos.

Del Monte tem uma paróquia em Bergamo, uma cidade murada e montanhosa de 120.000 habitantes, com torres quadradas e telhados inclinados de terracota, familiares aos turistas de muitas cidades italianas.

Sua província é agora a mais afetada da Itália. Com 4.634 infecções na sexta-feira, a província acumulou 11% de todos os casos da Itália.

A sua população é responsável por 0,2% do total da Itália.

Bergamo tem tantos mortos, que camiões do exército tiveram que entregar suprimentos de caixões de madeira recém-fabricados na quinta-feira e as casas mortuárias não conseguem dar conta de todos os corpos .

Como todas as outras vítimas, os clérigos são enterrados sem cerimônia.

Funerais, juntamente com casamentos, foram proibidos por mais de uma semana para conter o contágio. E poderá continuar assim por mais semanas ou meses.

AFP

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