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Expulsão de congoleses: Governo da RDC promete retaliar contra Angola de forma "inigualável"


Saurimo, Lunda-Sul

O governo da República Democrática do Congo advertiu que pode retaliar de forma “inigualável” , se não receber explicações de Luanda, sobre a expulsão de milhares de cidadãos do seu país, acusados de exploração ilegal de diamantes e de permanência não autorizada em Angola.

O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros da RDC, Agée Matembo, foi citado pela imprensa em Kinshasa, na segunda-feira, 15 de Outubro, como tendo admitido que, em retaliação contra a medida de Angola, o seu país pode dar o mesmo tratamento aos cerca de 20 mil refugiados angolanos “que vivem pacificamente” na região de Katanga.

O vice-chanceler congolês assegurou que iria chamar o embaixador da Angola para dar explicações sobre o sucedido esperando que sejam responsabilizados os angolanos que se envolveram no que chamou de “repressão desumana ” dos cidadãos do seu país.

"O congolês é um povo hospitaleiro mas quando você toca seus fundamentos, ele sabe que é intransigente”, disse.

O diplomata congolês disse mais: "Hoje temos mais ou menos 20.000 refugiados angolanos aqui em Katanga. Se pedirmos em nome da reciprocidade, que esses 20.000 angolanos que vivem pacificamente aqui em Katanga são reprimidos, da mesma forma, eu acho que vai ser complicado ".

Expulsão

Congoleses expulsos de Angola
Congoleses expulsos de Angola

Cerca de 180.000 congoleses foram expulsos de Angola nas últimas semanas no âmbito da "Operação Transparência" .

Altos funcionários da Emigração da RDC acusaram, nos últimos dias, as forças de segurança de Angola de terem, supostamente, assassinado dezenas de cidadãos congoleses no decurso da operação, o que Luanda já veio desmentir.

O porta-voz da “Operação Transparência” comissário Bernardo António disse que o número elevado de estrangeiros que residia nas áreas diamantíferas (cerca de 350 mil) maioritariamente da República Democrática do Congo, “constitui um sério risco para a segurança nacional”.

Entretanto, o comandante Provincial em exercício da Policia Nacional na Lunda Sul, sub-comissário João Ângelo, alertou neste domingo, em Saurimo, os angolanos residentes nesta região a se absterem de actos de xenofobia contra os cidadãos congoleses, no âmbito da operação policial "Transparência", em curso.

Relações de Irmandade "Beliscadas"

Repatriamento de imigrantes ilegais congoleses em Angola
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O académico João Lukombo Zatuzola defende que deve haver ponderação entre os dois países na análise do problema para que não sejam beliscadas as relações diplomáticas e de irmandade existentes entre os dois países.

Lukombo admite, entretanto, ter havido execessos por parte das forças de segurança de Angola no modo como o repatriamento foi feito mas também diz ser contra a reacção de Kinshasa.

Por seu turno o analista Augusto Bafua Bafua também considera puder ter havido má interpretação das ordens baixadas aos militares envolvidos na operação.

Bafua Bafua afirma, entretanto, que as autoridades angolanas tem o direito de defender as suas fronteiras contra a presença de estrangeiros ilegais e contra a extração ilegal das suas riquezas.

O analista também deplora a forma como as autoridades congolesas reagem às decisões legítimas dos seus vizinhos. Bafua Bafua admite que as autoridades congolesas queiram aproveitar a situação para tirar dividendos políticos devido as eleições que se aproximam.

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