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Evite "absurdos" sobre o trabalho nuclear de Teerão, diz à França o chefe da diplomacia iraniana


Mohammad Javad Zarif (AP Photo/Jens Meyer)

O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Mohammad Javad Zarif, rejeitou, neste domingo, 17, uma alegação da França de que Teerão estava em processo de construção de armas nucleares, chamando-a de "absurda".

Jean-Yves Le Drian, ministro dos Negócios Estrangeiros da França, em entrevista ao Journal du Dimanche, no sábado, disse que o Irão está a aumentar a sua capacidade de armas nucleares e que é urgente que Teerão e Washington voltem a um acordo nuclear de 2015.

"Caro colega: Você deu início à carreira no governo com a venda de armas para criminosos de guerra sauditas. Evite absurdos sobre o Irão", disse Zarif no Twitter, com uma etiqueta para o seu homólogo francês, @JY_LeDrian.

O governo do presidente francês Emmanuel Macron recebeu críticas de alguns países e grupos de direitos humanos sobre o seu apoio às acções da Arábia Saudita e por permitir que as armas vendidas a Riade sejam potencialmente utilizadas nas suas operações no Iêmen.

“VOCÊ está a desestabilizar a NOSSA região,” escreveu Zarif no Twitter, que igualmente pediu o fim da protecção aos criminosos que eliminam os seus críticos e “usam as TUAS armas para massacrar crianças no Iêmen". Zarif referia-se ao cargo anterior de Le Drian como ministro da Defesa francês.

O Irão, que nega ter tentado fabricar bombas nucleares, rejeitou uma declaração, no sábado, 16, de três potências européias, que advertia a República Islâmica a não começar a trabalhar com combustível à base de urânio metálico para um reator de pesquisa, alegando que violava o pacto nuclear e tinha sérias implicações militares.

Regresso dos Estados Unidos

Zarif criticou a França, Alemanha e Grã-Bretanha - que permanecem no acordo com a China e a Rússia - por não cumprirem o acordo desde 2018, quando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, abandonou e restaurou severas sanções económicas ao Irão.

O presidente eleito dos EUA, Joe Biden, que assumirá o cargo a 20 de janeiro, prometeu o regresso dos Estados Unidos "se o Irão retomar o cumprimento estrito" do acordo que impõe restrições às suas actividades nucleares em troca do levantamento das sanções.

Em reação à política de "pressão máxima" de Trump, o Irão quebrou gradualmente muitas das restrições do acordo. Mas Teerão diz que poderia reverter rapidamente essas medidas se Washington primeiro suspender as suas sanções.

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