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EUA não devem interferir na política francesa, advertem autoridades de Paris


Manifestação em Paris, 8 de Dezembro.

Advertência surge depois de Trump ter escrito: "Dia e noite muito tristes em Paris. Se calhar é hora de acabar com o ridículo e extremamente caro Acordo de Paris e devolver o dinheiro ao povo na forma de impostos mais baixos?"

O ministro das Relações Exteriores da França pediu, neste domingo, 9, que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não interfira na política francesa, após tweets de Trump sobre as manifestações em Paris.

"Não levamos em consideração a política intera americana e queremos que isso seja retribuído", disse o Jean-Yves Le Drian, à TV LCI.

Jean-Yves Le Drian
Jean-Yves Le Drian

"Eu digo isso a Donald Trump, e é o que também diz o presidente francês: deixe a nossa nação em paz."

Le Drian respondia a tweets enviados pelo presidente americano no sábado.

"Dia e noite muito tristes em Paris. Se calhar é hora de acabar com o ridículo e extremamente caro Acordo de Paris e devolver o dinheiro ao povo na forma de impostos mais baixos?" escreveu Trump.

Noutro tweet anterior, Trump insinuou que os manifestantes em Paris tomaram partido da sua decisão de deixar o Acordo de Paris, acto de 2015 envolvendo mais de cem países e destinado a combater as mudanças climáticas.

"O Acordo de Paris não está a funcionar tão bem para Paris. Protestos e tumultos por toda a França. As pessoas não querem pagar grandes somas de dinheiro, muito para países do terceiro mundo (questionavelmente administrados), se calhar para proteger o ambiente." Cantam `Nós queremos Trump!´ Ame a França,”ele escreveu.

Cerca de 136 mil contra o alto custo de vida

Cerca de 2.000 pessoas foram presas, no sábado, 8, em toda a França, na última onda de protestos dos "coletes amarelos".

O ministério do Interior diz que, em todo o país,cerca de 136 mil pessoas se uniram contra o alto custo de vida da França. Os manifestantes também expressaram o seu desapontamento com a presidência de Emmanuel Macron.

Além de Paris, protestos foram realizados em grandes cidades como Marselha, Bordéus, Lyon e Toulouse.

No sábado, o ministro do Interior da França, Christophe Castaner, disse que as manifestações violentas em Paris estão "sob controlo", apesar dos contínuos actos de desordem, para ele "totalmente inaceitáveis".

A França fechou a Torre Eiffel e outros marcos turísticos e mobilizou dezenas de milhares de forças de segurança para enfrentar a quarta semana de manifestações violentas.

Desde o início de manifestações, em novembro, quatro pessoas foram mortas em incidentes relacionados.

Mais exigências

Macron abandonou o aumento do imposto sobre os combustíveis, mas os manifestantes fizeram novas exigências relacionadas com questões económicas que prejudicam trabalhadores, aposentados e estudantes.

As autoridades do país receiam que a violência possa enfraquecer a economia e complicar a sobrevivência do governo.

O movimento "colete amarelo" deve o seu nome aos coletes salva-vidas que os motoristas franceses são obrigados a manter nos seus veículos, usados pelos manifestantes.

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