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Emmerson Mnangagwa, o novo homem-forte do Zimbábue

  • Redacção VOA

Emmerson Mnangagwa

Carreira política com altos e baixos

Emmerson Mnangagwa nasceu na região central de Zvishavane, no Zimbábue, e pertence ao subgrupo Caranga, o maior do povo shona, principal etnia do país.

Após 37 anos de dominação do subgrupo Zezuru, a que pertence Mugabe, os carangas sentem que agora é a sua vez de assumir o poder.

De acordo com relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) de 2001, Mnangagwa era visto como "o arquitecto das actividades comerciais do Zanu-PF".

O título se deve em grande parte às operações do Exército do Zimbábue e empresários na República Democrática do Congo.

Emmerson Mnangagwa, os apelos e promessas do novo homem-forte do Zimbabué
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Recursos saqueados da RDC

As suas tropas intervieram no conflito do Congo ao lado do Governo e, assim como as forças de outros países, foram acusadas de usar o conflito para saquear recursos naturais valiosos, como diamante, ouro e outros minerais.

Mas apesar desse papel, Mnangagwa, um advogado que cresceu na Zâmbia, não é muito benquisto pela base de seu próprio partido.

Blessing Chebundo, candidato da oposição que derrotou Mnangagwa na campanha parlamentar de 2000, em Kwekwe Central, diz que o seu rival não é um homem de paz.

Numa campanha violenta, Chebundo escapou da morte por um triz após ser sequestrado por jovens do Zanu-PF, que chegaram a jogar gasolina nele, mas não conseguiram acender o fósforo.

A temível reputação de Mnangagwa tem origem na guerra civil que estourou na década de 1980 entre seu partido, o Zanu, e o Zapu, de Joshua Nkomo.

Milhares de civis inocentes - principalmente da etnia Ndebeles, apontada como simpatizante do Zapu - foram mortos antes que os dois partidos se fundissem para formar o Zanu-PF.

Acusações de violações dos direitos humanos

Como ministro da Segurança Nacional, Mnangagwa ficou à frente da Organização Central de Inteligência (CIO, na sigla em inglês), o que caiu como uma luva para o Exército suprimir o Zapu.

Entre inúmeras outras atrocidades, os aldeões foram forçados a dançar sob a mira de uma arma nas sepulturas recém-escavadas de seus parentes e a cantar slogans pró-Mugabe.

O futuro Presidente é apontado como um dos principais responsáveis pelas muitas violações dos direitos humanos.

Mnangagwa conta, no entanto, com o apoio de muitos dos veteranos de guerra que lideraram uma campanha violenta contra agricultores brancos e oposicionistas a partir de 2000.

Esse grupo lembra dele como um dos homens que, após treino militar na China e no Egipto, comandaram a luta pela independência do país nos anos de 1970.

Formação ideológica

Ele também frequentou a Escola de Ideologia de Pequim, dirigida pelo Partido Comunista Chinês.

O perfil oficial de Mnangagwa diz que ele foi vítima de violência do Estado após ser preso pelo Governo da minoria branca na antiga Rodésia, em 1965, quando a "gangue do crocodilo" que ele liderava ajudou a explodir um comboio perto de Fort Victoria, hoje Masvingo.

Como Mnangagwa tinha menos de 21 anos na ocasião, não foi executado, mas condenado a 10 anos de prisão.

A sua primeira derrocada na carreira política aconteceu em 2005, quando perdeu o cargo de secretário de administração do Zanu-PF, posição que lhe permitiu nomear aliados para posições estratégicas no partido.

Isso aconteceu após relatos de que Mnangagwa estava em campanha forte para assumir o cargo de vice-presidente.

Mas depois que Mugabe perdeu o primeiro turno das eleições presidenciais para Morgan Tsvangirai, o líder da oposição, em 2008, houve rumores de que Mnangagwa teria orquestrado a campanha de reacção do Zanu-PF, coordenando as estratégias do partido com a inteligência e o Exército.

As forças de segurança militar e do Estado desencadearam uma campanha violenta contra partidários da oposição, deixando centenas de mortos e desabrigados.

Tsvangirai então retirou sua candidatura no segundo turno e Mugabe foi reeleito.

Grace Mugabe

Mnangagwa não comentou as acusações de que estaria envolvido na planificação dos actos de violência, mas uma fonte do Departamento de Segurança do partido confirmou mais tarde que ele era o elo político entre o Exército, a inteligência e o Zanu-PF.

Mas isso mudou depois.

A rivalidade com a então primeira-dama, Grace Mugabe, ganhou contornos insólitos em Agosto deste ano, quando Mnangagwa passou mal durante um comício liderado pelo agora ex-líder e teve que ser levado de avião para a África do Sul.

Os partidários do então vice-presidente sugeriram que um grupo rival dentro do Zanu-PF o havia envenenado e insinuaram que a culpa era do sorvete produzido pela empresa de produtos lácteos da primeira-dama.

Parece que, ao competir com Mnangagwa, Grace Mugabe comprou uma briga maior do que imaginava.

No início de Novembro, ele foi demitido do cargo de vice-presidente por Robert Mugabe que, segundo fontes seguras, pretendia nomear em Dezembro a então primeira-dama Grace Mugabe para o cargo.

Emmerson Mnangagwa fugiu para Moçambique com medo de represálias.

Depois do golpe militar que pressionou a renúncia de Robert Mugabe, Mnangagwa regressou nesta quarta-feira, 22, ao país e será empossado Presidente na sexta-feira.

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