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BAL mais competitiva e com grandes objectivos para o basquetebol africano


Mamadi Keita (SLAC), Presidente da BAL, Amadou Gallo Fall e Abel Abdourahmane Diop (DUC) (esquerda para a direita) no jogo de abertura da BAL, em Dacar

A nova Liga Africana de Basquetebol iniciou a sua segunda temporada no sábado, 5 de Março, em Dacar, Senegal, com doze equipas masculinas de países africanos a disputar o título do campeonato BAL de 2022.

O Dakar Université Club (DUC) do Senegal e o Seydou Legacy Athlétique Club (SLAC) da Guiné-Conacri enfrentaram-se na abertura da temporada, com vitória para o SLAC, por 85-70. Eles, assim como todas as outras equipas estão de olho no prémio conquistado pelo Zamalek do Egipto na temporada inaugural do ano passado.

A equipa moçambicana do Ferroviário da Beira faz a sua estreia no campeonato neste domingo, 6 de Março, frente ao US Monastir da Tunísia.

A pandemia do COVID-19 atrasou a data de lançamento original da BAL em 2020 um ano e restringiu os seus jogos a duas semanas na capital do Ruanda. Os 38 jogos programados desta temporada serão prolongados por três meses entre Dacar, Kigali e Cairo.

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As equipas da BAL foram divididas em duas conferências: Sahara e Nilo. As equipas do Sahara — da Guiné, Marrocos, Moçambique, Ruanda, Senegal e Tunísia – vão competir entre si até 15 de Março na Arena Dakar. Equipas do Nilo – de Angola, Camarões, República Democrática do Congo, Egito, África do Sul e Sudão do Sul — jogarão de 9 a 19 de abril no Complexo de Desportivo Indoor Hassan Mostafa, no Cairo.

Os quatro melhores de cada conferência vão classificar-se para os playoffs, com um torneio de eliminação simples e finais na Kigali Arena, de 21 a 28 de Maio.

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A BAL é uma parceria da National Basketball Association (NBA) e da International Basketball Federation (FIBA). Representa a primeira colaboração da NBA operando uma liga fora da América do Norte.

"A NBA está a fazer um investimento no crescimento do jogo em todo o continente, em geral", disse o presidente da NBA África, Victor Williams, num evento em Fevereiro para celebrar um novo escritório da NBA em Lagos, Nigéria. O seu escritório original em África abriu em Joanesburgo em 2010.

Um oficial da FIBA disse que esta segunda temporada da BAL iria "expandir o escopo e o valor de entretenimento do jogo" além das duas semanas da temporada inaugural em Kigali.

"Países de toda a África verão os jogos em primeira mão", disse Sam Ahmedu, presidente da FIBA Africa Zone 3, à VOA. ". Ajudará também a popularizar o jogo e atrair mais patrocínios."

Entre os patrocinadores da BAL estão empresas como Nike, Pepsi, Hennessy conhaque e RwandAir.

A organização-mãe do BAL, NBA Africa, atraiu parceiros estratégicos como o ex-presidente Barack Obama e investidores, incluindo o ex-astro da NBA Dikembe Mutombo, originário da República Democrática do Congo.

Embora o futebol seja a modalidade colectiva dominante do continente, o interesse no basquetebol tem vindo a crescer. A CNBC reportou sobre o objectivo da NBA de tornar a sua modalidade o principal desporto do continente dentro de uma década, focando no continente predominantemente jovem e em crescimento população.

África tem a população mais jovem do mundo, com 70% da população da África Subsaariana com menos de 30 anos,relata as Nações Unidas.

Nesta temporada, cada equipa da BAL terá uma prospecção da NBA Academy Africa, um centro de treino de basquetebol em Saly, no Senegal, para os principais potenciais jogadores em idade escolar. Vai acontecer através de um novo programa chamado BAL Elevate.

"Existe uma sinergia natural entre a BAL e a NBA Academy Africa, e este programa fornecerá outro caminho para que os jogadores africanos de elite atinjam o seu potencial como jogadores e indivíduos", disse Amadou Gallo Fall, presidente da BAL, em comunicado de imprensa.

Um pipeline de talentos?

No momento, a NBA tem mais de 50 jogadores que nasceram em África ou são filhos de africanos, de acordo com um representante da BAL.

Esses jogadores incluem o duas vezes MVP Giannis Antetokounmpo do Milwaukee Bucks, criado na Grécia por pais da Nigéria; Joel Embiid, do Philadelphia 76ers, e Pascal Siakam, do Toronto Raptors, ambos camaroneses; e Neemias Queta do Sacramento Kings, cujos pais são da Guiné-Bissau.

Alguns vêem esforços como a BAL ou o programa Basquetebol Sem Fronteiras como um canal para a NBA. O jogo da liga do ano passado atraiu 15 olheiros da NBA ou representantes de equipas, disse a gerente de scouting dos Raptors, Sarah Chan, à VOA na época.

Mas outros devotos de basquetebol, como Relton Booysen, afirmam que a BAL deve cultivar e manter jogadores talentosos no continente.

"A minha opinião é que a BAL é um prémio. É um prémio para qualquer um em África, no mundo, jogar no BAL", disse Booysen, técnico do Cape Town Tigers, equipa sul-africana que estreia na liga a 10 de Abril no Cairo contra o clube angolano Pedro de Luanda.

"Não é como se você quisesse usar a BAL para alimentar os jogadores da NBA. Acredito que a BAL crescerá tanto quanto a NBA e ainda maior."

O cesto como diplomacia cultural

Scott Brooks, um sociólogo e director associado do Instituto de Desportos Globais da Universidade Estadual do Arizona, disse que vê esforços como a BAL como uma forma de diplomacia cultural.

"Não é apenas a cultura americana que está a tomar conta. Sempre temos um pouco de outras culturas a serem absorvidas", disse Brooks. "Isso é o que realmente torna isso emocionante."

Brooks elogiou programas como o Basquetebol Sem Fronteiras, o programa global de desenvolvimento e divulgação da NBA e da FIBA para nutrir jovens jogadores — não apenas no desporto, mas também no meio académico, saúde e valores.

"Não é apenas a formação de atletas, é a formação de líderes em África", disse Brooks, que também elogiou Fall, o presidente da BAL, por desempenhar um papel fundamental nesse desenvolvimento. "A sua visão não é apenas que eles joguem basquetebol", disse Brooks, mas que "eles aprendam a servir e voltem ao continente e ajudem a construí-lo."

As equipas participantes esperam que o torneio BAL aumente sua visibilidade e apoio.

Por exemplo, o Grupo de Energia de Ruanda (REG), que se classificou para a competição desta temporada, é relativamente desconhecido para o residente de Kigali, Jean de Dieu Rukundo. "Não faço ideia sobre o REG, mas de qualquer forma desejo sucesso a eles", disse ele à VOA.

O coordenador desportivo da REG, Geoffrey Zawadi, expressou confiança em conquistar novos admiradores. Ele disse que o clube de 5 anos já conquistou dois troféus da liga nacional e "a nossa base de fãs está a aumentar ano após ano".

A VOA tem parceira para uma segunda temporada com a BAL, transmitindo 31 jogos na sua extensa rede de rádio na África. Isso inclui jogos selecionados em português, inglês, francês, kinyarwanda e wolof.

A novidade este ano é que a VOA e a BAL colaborarão em programação adicional, incluindo podcasts semanais de Dacar, Cairo e Kigali, que serão transmitidos nas plataformas online VOA e BAL. Os jogos serão transmitidos ao vivo em NBA.com e TheBAL.com.


Reportagem de Carol Guensburg com João Santa Rita, Serviço Português; Edward Rwema, Serviço da África Central; Yacouba Ouedraogo e Tresor Matondo, Serviço Francês para África e Mike Mbonye, Serviço de Inglês para África.

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