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Angola: Violência e discriminação têm rosto feminino


A pobreza e a descriminação em Angola continuam a ter rosto feminino.

As constantes violações dos direitos da mulher, a difícil concorrência ao emprego em mesmo pé de igualdade com os homens entre outros fazem da situação das mulheres um problema estrutural.

Embora dados estatísticos oficiais sobre as mortes em maternidades não sejam disponibilizados pelas autoridades muitas são as mulheres que perdem a vida nas maternidades de Angola..

Áuria Mouzinho, Coordenadora do Ondjango Feminino, uma organização ligada a defesa dos direitos femininos particularmente a justiça económica, os direitos sociais e a saúde reprodutiva.

“Somos um dos países com maior taxa de mortalidade materna ainda. Temos muitos casos que os órgãos mediáticos reportam sobre violão. Temos outros direitos que não são efectivados entre os quais direitos económicos e sociais, direitos políticos e até direitos reprodutivos”,disse.

Questões culturais são apontadas como sendo dos maiores obstáculos com que se debatem as vítimas de violência doméstica entre as famílias angolanas.

A violência espiritual contra as mulheres é uma preocupação para as igrejas cristãs em Angola.

A Chefe do Departamento da Mulher do Conselho de Igrejas Cristãs em Angola- CICA, Jaqueline Diavava, está preocupada com esta situação de que são alvo muitas mulheres dentro das igrejas.

“Conhecemos vários tipos de violência, mas as mulheres cristãs identificarem mais um tipo, que é a violência espiritual onde a mulher dentro da igreja não lhe é dada o espaço condigno para fazer o seu trabalho”,afirmou.

A violência psicológica é igualmente uma preocupação do Conselho das Igrejas Cristãs em relação.

A ignorância aliada à pobreza é algumas das situações que levam muitas mulheres à se submeterem a situações de violência contra elas mesmas.

“Enquanto os pastores vão apostando na teoria da prosperidade muitas mulheres vão ficando cada vez mais pobres porque estão a contrair dívidas acreditando que depois ficaram abençoadas e com capacidade financeira para pagar a dívida”, disse Mouzinho

Áuria Mouzinho reforça a ideia segundo a qual a violência contra mulher que não acontece apenas no espaço doméstico, pelo que, aponta a discriminação do género como sendo uma das causas.

“Nós achamos que é um problema sério porque muitas mulheres morrem nas mãos dos seus parceiros”, disse a activista defensora dos direitos femininos para quem há em Angola violência institucionalizada e cita o caso das maternidades onde várias mulheres morrem durante o parto.

Por sua vez a Activista Internacional de Direitos Humanos Lúcia Kula entende que em Angola os actos de violência por que passam sobre tudo as mulheres persistem porque o governo angolano não coloca a mulher como sua prioridade.

Angola: Violência contra a mulher em análise - 16:15
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“É uma situação que traz perigo na vida das pessoas que não sabem como reclamar por estes direitos”, frisou.

Lúcia defende maior intervenção dos órgãos de comunicação social na defesa dos direitos das mulheres denunciando casos de violência doméstica e, contra a mulher em particular, na imprensa.

Para contribuir para redução do índice de violência contra mulher, organização Não Governamental Ondjango Feminino tem estado a realizar diferentes actividades entre as quais campanhas de sensibilização, conferências entre outras acções.

Áuria Mouzinho uma das Coordenadoras da ONG Ondjango Feminista considerando a situação da mulher em Angola como sendo crítica. A activista falava à margem de uma mesa redonda organizada em parceria com Fórum de Mulheres Jornalistas para Igualdade do Género para saudar o 2 e o 8 de Março, dia da mulher angolana e Internacional da Mulher respectivamente.

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