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Violência contra a mulher aumenta no Brasil


Doze mulheres são assassinadas todos os dias

Dia Internacional da Mulher é marcado pela luta contra o assédio e desigualdade de género

O Dia Internacional da Mulher no Brasil é marcado pela luta contra o assédio e desigualdade de género.

Não é uma data comemorativa, mas sim de luta, de reivindicação num momento em que a violência contra elas cresce no país.

Brasileiras pedem fim da violência - 2:40
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Doze mulheres são assassinadas todos os dias, em média, no Brasil, segundo um levantamento feito pelo portal de notícias G1, com base em dados oficiais dos Estados de 2017.

Em relação a 2016, houve um aumento de 6,5 por cento dos casos.

De acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, no último relatório da Organização Mundial da Saúde, o Brasil ocupa a sétima posição entre as nações mais violentas para as mulheres de um total de 83 países.

No ano passado, 4.473 mulheres foram assassinadas.

Deste total, 946 foram feminicídios, ou seja, motivados por género, pelo próprio companheiro ou cônjuge.

O Rio Grande do Norte é o Estado brasileiro com maior índice de homicídios contra mulheres: 8,4 a cada 100 mil mulheres.

Especialista defende mais medidas

Para o especialista em segurança pública, Luís Flávio Sapore, a sociedade brasileira tem um grande desafio para reverter esse triste cenário.

“A violência contra a mulher persiste como grande desafio da sociedade brasileira. A luta pela igualdade de género passa necessariamente pela redução do número de feminicídios, geralmente provocados por motivos passionais. São mais de cinco mil mulheres assassinadas todos os anos no Brasil, praticamente 10 por cento de todos os homicídios registados no país. E quase a totalidade desses homicídios envolvem as questões passionais. São crimes cometidos por parceiros, namorados, maridos, amantes que de alguma maneira não aceitam as separações, os divórcios, estão envolvidos em disputa da guarda dos filhos e motivos afins”, explicou.

Ele chama a sociedade para refletir sobre a influência da cultura patriarcal no Brasil, que tem contribuído para esse quadro.

“O fundamento sociológico da violência contra a mulher na sociedade brasileira é a prevalência ainda de uma cultura patriarcal na nossa sociedade. As mulheres têm avançado, inegavelmente, na formatação de um novo papel social. Na conformação de um papel feminino mais ativo, mais dinâmico e mais presente na vida do trabalho, nas universidades e na política. A nova mulher, que é uma realidade, já ultrapassou as restrições históricas daquela mulher tradicional que cuidava da vida doméstica. Por outro lado, se as mulheres avançaram em seu papel social, os homens, em boa medida, permanecem arraigados no papel convencional. Na conformação de um papel ainda voltado pela supremacia do homem sobre a mulher como posse afectiva sexual do seu parceiro. A violência contra a mulher resulta dessa incongruência do avanço do papel feminino, dessa nova mulher que já é realidade, e de um homem ainda em boa medida apregoado à sua visão convencional”, ressaltou aquele especialista, para quem é necessário fortalecer a Lei Maria da Penha para reverter o actual cenário fazendo com que ela seja efectivamente cumprida.

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