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Recenseamento problemático em Nampula

  • Faizal Ibramugy

 Nampula

Nampula

Entre as dificuldades de destacar a falta de tinteiros para a impressão de cartões de eleitores.

Na província moçambicana de Nampula o recenseamento eleitoral rumo às eleições autárquicas de 20 de Novembro próximo está a decorrer no meio de inúmeras dificuldades.
Entre as dificuldades de destacar a falta de tinteiros para a impressão de cartões de eleitores, falta de corrente eléctrica capaz de suportar o funcionamento dos equipamentos eléctricos para além da falta de capacidades humanas no manuseamento do equipamento informático.

Estes problemas associam-se a avarias constantes dos equipamentos, facto que levou vários postos de recenseamento eleitoral a não funcionarem até à sexta-feira passada.

Porém as organizações da sociedade civil têm vindo a fazer varias criticas em todo o país, na medida em que, esta não é a primeira vez que o Secretariado Técnico de Administração eleitoral, STAE usa o sistema electrónico para o registo de eleitores .
O sistema foi usado pela primeira vez durante as eleições autárquicas e gerais de 2008/2009, onde os problemas de tinteiros e carga haviam sido registados. Na opinião dos críticos estes problemas deviam ter sido superados.

Ao longo da semana passada, o STAE alegou incompatibilidade dos tinteiros com as impressoras usadas no processo. Porém aquele órgão de administração eleitoral anunciou a aquisição de um total de 750 novas máquinas impressoras a partir da vizinha África do Sul, e que ao longo do fim-de-semana deveriam ser distribuídos pelos vários postos de recenseamento no país.

Em Nampula, os postos continuaram até ao fecho desta reportagem a utilizar as impressoras antigas e a prevalecer o problema de tinteiros.
Muitos cidadãos entrevistados pela VOA referiram na manhã desta segunda-feira que ainda não se recensearam porque em quase todos os postos percorridos apresentam problemas de tinteiros, ou de carga.

“ Quando há tinteiros e carga, os brigadistas não sabem manusear os equipamentos, criando neste caso longas filas, difíceis de esperar”, disse uma senhora que não quis que fosse identificada.

Mas nem todos os postos de recenseamentos funcionaram com dificuldades semana passada. O posto de recenseamento número um, instalado junto da escola comercial de Nampula, onde se inscreveu a governadora Cidália Chaúque, funcionou sem sobressaltos, tendo até ontem inscrito 550 eleitores, dos dois mil previstos.
Hoje o posto registou rotura no tinteiro e por isso foi solicitado a todos aqueles que ali se fizeram presentes que voltassem na terça-feira.

O responsável pelo recenseamento no posto disse-nos que o problema seria resolvido até as primeiras horas de amanhã.
Na semana passada um grupo de jovens na cidade de Nampula foi proibido de se recensear alegadamente por não terem apresentado atestados de residência, um documento que não é necessário neste processo. Pois para se recensear em Moçambique é exigido o documento de identificação civil e na sua ausência um outro documento de identificação diferente da do atestado de residência.

Na última quinta-feira, os fiscais afectos aos postos de recenseamento de Muzuane, Djanga e Mahelene por parte do MDM em Nacala-Porto, sofreram represálias ao impedir o recenseamento de cidadãos que vivem fora da cidade e que pretendem recensear-se para participar na votação de 20 de Novembro.

Na mesma semana, o repórter do jornal de distribuição gratuita “A Verdade” chegou a ser detido por agentes da polícia no bairro de Namicopo, cidade de Nampula, quando efectuava a cobertura jornalística do recenseamento.

O facto curioso é que nenhuma lei proíbe que jornalistas e cidadãos comuns tirem fotografias dos postos de recenseamento. Cidadãos ouvidos pela VOA esperam que estes problemas sejam ultrapassados rapidamente de modo a garantir a credibilidade do processo eleitoral.
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