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Prateleiras dos supermercados moçambicanos podem ficar vazias

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Prateleiras poderão ficar assim em Moçambique

Prateleiras poderão ficar assim em Moçambique

Economista Ragendra de Sousa avisa que a suspensão do apoio do FMI, BM e Reino Unido influenciará a balança comercial.

A suspensão da ajuda financeira directa pelo Banco Mundial ao Orçamento de Estado de Moçambique tem o potencial de agudizar a incapacidade do país responder às necessidades básicas da população, disse o economista Ragendra de Sousa.

Para o economista, enquanto a situação não for resolvida, o país viverá uma “situação de quase paralisação da economia”.

A suspensão do apoio directo do Banco Mundial foi anunciada, na quarta-feira, 27, duas semanas depois do Fundo Monetário Internacional (FMI) ter decidido travar as negociações de um empréstimo a Moçambique, na sequência da descoberta de dívidas superiores a mil milhões de dólares.

Em resultado disso, o economista disse à VOA não ter dúvidas de que outros doadores poderão fazer o mesmo até que seja restabelecida a confiança.

Com efeito, após o Banco Mundial, o Reino Unido anunciou, nesta quinta-feira, 28, a suspensão do apoio a Moçambique, país que recebe mais de 40 por cento do seu orçamento de doadores.

O economista explicou que tendo em conta que parte das reservas internacionais vem do apoio directo ao orçamento, a balança comercial será afectada, e haverá fortes implicações na importação de bens alimentares.

“Os supermercados voltarão a ter as prateleiras vazias”, tal como aconteceu nos anos 1980, disse o economista, que receia dificuldades para “amainar o ânimo das pessoas” em caso de manifestações.

A sociedade civil e partidos políticos, incluindo membros da Frelimo, que está no poder, exigem a responsabilização dos que negociaram a avultada dívida, nos últimos anos do mandato de Armando Guebuza.

“Se a condição dos doadores e demais fornecedores de dinheiro a Moçambique passar por esse processo,” continuou Ragendra, “não vejo como o governo poderá pará-lo”

O escândalo da dívida surge numa altura em que os moçambicanos sonhavam que diferentes investimentos na indústria extractiva poderiam alavancar a economia nacional.

Nesse prisma, o economista colocou a hipótese técnica de venda desses recursos por antecipação, mas o cenário revela-se complicado, porque “para isso acontecer é preciso um parecer positivo do FMI e Banco Mundial”.

Sem restaurar a credibilidade, nenhum comprador poderá arriscar, disse.

As dividas que colocam Moçambique neste escândalo foram contraidas ao Credit Suisse e ao banco russo VTB por empresas do governo moçambicano em processos que analistas duvidam da transparência.

“Como é que um banco financia sem sequer vir ao país ver ser a empresa tem uma sede?”, questionou Ragendra de Sousa.

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