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"Ligação ao poder lançou negócios de Isabel dos Santos", diz autor de biografia

  • Redacção VOA

Isabel dos Santos

Isabel dos Santos

Filipe S. Fernandes diz que a bilionária tem agora equipas de gestão não ligadas à familia que são muito fortes.

“É obvio” que as relações familiares da Isabel dos Santos contribuíram para a fortuna que a filha do Presidente possui", disse o jornalista Filipe S. Fernandes, autor de uma nova biografia da bilionária angolana.

Contudo em entrevista à VOA, o jornalista português disse que não há nos negócios de Isabel dos Santos o envolvimento de membros da sua família.

A biografia empresarial titulada “Isabel dos Santos - Segredos e poder do dinheiro”, foi baseada em investigações do autor que, contudo, não inclui qualquer entrevista com a filha do Presidente que não quis colaborar.

Fernandes afirmou ter ficado convencido de que ao contrário do que se possa pensar, Isabel dos Santos tem apenas duas ou três áreas de negócios e são essas que ela mantém.

Essas áreas “basilares” , disse, são as telecomunicações, energia e finanças

“Depois óbviamente e como todos os grupos económicos e empresários há pequenos negócios que vão tentando explorar que vão crescer ou não e que um dia se calhar ela alienará”, acrescentou.

O autor disse que há também “um sentido de alguma estratégia que é não deixar de estar nos centros onde às vezes se decidem estratégias que afectam os negócios”.

“Eu penso que os investimentos dela na banca e a tentativa nas telecomunicações tiveram mais a ver com o estar presente onde se determinam estratégias que possam afectar Angola do que própriamente investir em Portugal ou ser uma grande empresária na área das finanças e das telecomunicações portuguesas”, acrescentou.

Interrogado se o seu poder económico se devia ao poder politico do pai ou da família Filipe S. Fernandes disse ser isso "óbvio".

“Se nós vemos que em países de democracias instaladas e de economias de mercado já muito desenvolvidas a proximidade com o poder permite ganhar contratos, num país centralizado, onde tem que se criar empresários, mais fácil é que a proximidade no poder permite que se crie empresários”, disse.

Contudo, o autor acrescentou ser “muito evidente” que Isabel dos Santos não tem familiares nos seus negócios que envolvem a Sonangol e algumas conhecidas figuras da cena politica angolana.

O jornalista português afirmou ainda que nos seus contactos muitos empresários expressaram admiração pelo facto de a filha do presidente angolano “ter uma equipa de gestão muito forte e muito boa”.

“Mais do que ser ela a interferir nos negócios é ela que traça as directrizes mas depois tem equipas muito fortes de gestão”, concluiu Filipe S. Fernandes

A bilionária e a camponesa

Isabel dos Santos foi também alvo de um artigo de Nicholas Kristof do jornal New York Times escrito Luanda com o titulo “Duas mulheres duas sortes opostas”.

O artigo versa, como o título indic, dois opostos da sociedade angolana. Uma é Isabel dos Santos, filha do presidente, bilionária e a mulher mais rica de África e a outra é Delfina Fernandes, que vive numa aldeia no norte de Angola, numa palhota sem electricidade ou água e sem acesso a serviços de saúde.

No seu artigo, Kristof descreve Isabel dos Santos como uma pessoa com “gostos extravagantes” que é vista como “o símbolo do estatuto de Angola como um dos países mais corruptos de Angola”.

Kristof afirma que que para o 10o. aniversario do seu casamento Isabel dos Santos convidou “pessoas de todo o mundo para dias de celebrações luxuosas”.

Por outro lado Delfina Fernandes disse ao jornalista que durante a sua vida perdeu 10 filhos cujos nascimentos e mortes nunca foram sequer registados.

Uma boa hipótese, escreve o jornalista, é que morreram de malária ou fome.

Para pessoas como Fernandes, a vida não é muito diferente do que era há poucas centenas de anos, diz o artigo que acrescenta: “Não há escola nesta área e, portanto, ela e todos na zona são analfabetos”.

Mas a camponesa angolana não se mostrou descontente com o Governo afirmando que foi por vontade de Deus que os seus filhos morreram.

Nicholas Kristof escreve que “isso é ser injusto para com Deus”, já que a corrupção é uma das razões porque 150 mil crianças morrem todos os anos em Angola antes dos cinco anos de idade, acrescentando que o orçamento de saúde é sistematicamente alvo de desvios.

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