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Angola é força "estabilizadora" na Guiné-Bissau - analista


Bubo Na tchuto. Mais esperança sem ele?

Bubo Na tchuto. Mais esperança sem ele?

Prisão de Bubo Na Tchuto vista como factor positivo para a Guiné-Bissau

A missão militar de Angola na Guiné- Bissau tem um papel "estabilizador" no processo de reformas das forças armadas guineenses, disse à Voz da América o analista Xavier Figueiredo.

Por outro lado a prisão do almirante Bubo Na Tchuto e de militares a si associados após o recente levantamento militar dá “ uma pontinha” de esperança à estabilização da Guiné- Bissau, acrescentou

Xavier Figueiredo disse que para além de Bubo Na Tchuto ser uma figura alegadamente ligada ao narco-tráfico, ele é também visto como um dos “polos” de oposição ao processo de reformas das forças armadas algo que considera de “essencial” para a estabilização do país.

Figueiredo é o editor da newsletter “Africa Monitor” que cobre a África de língua oficial portuguesa e conhece profundamente a situação na Guiné Bissau.

Falando no programa Temas & Debates, o analista disse que a instabilidade constante na Guiné Bissau se deve ás forças armadas que “se foram constituíndo num poder paralelo que absorveu perversões da própria sociedade” depois do golpe militar de 1999.

Xavier Figueiredo mencionou entre essas “perversões” o facto das forças armadas guineenses terem “uma componente étnica muito forte”, a inexistência de um regulamento de disciplina interna e “outras normas essenciais para a existência de forças armadas regulares que não existem na Guiné-Bissau”.

Há também uma “promiscuidade” entre as forças armadas e sectores de poder político e últimamente os problemas agravaram-se com a ligação entre as forças armadas e o narco-tráfico, acrescentou.

Xavier Figueiredo disse que a reforma das forças armadas é “essencial” para o futuro do país.

“Ou se faz esse plano e se criam condições mínimas para a estabilização da Guine Bissau ou tendo em conta como estão as forças armadas este foco de agitação e perturbação vai continuar a existir,” acrescentou.

O analista considerou que um dos entraves a essa reforma é o facto das forças armadas guineenses “serem predominatemente” compostas por membros da etnia Balanta, uma etnia com “uma história que inclui fases de marginalização´”.

Reformas são receadas por esse grupo como um regresso a esses períodos de marginalização e “isso cria algumas resistências”.

“De qualquer modo penso que foram criadas algumas condições para permitir que o processo de reforma possa ser iniciado e levado até ao fim com êxito,” disse.

A missão militar de Angola na Guiné-Bissau tem a este respeito um papel estabilizador porque “serve um pouco de garante”.
Para Xavier Figueiredo “esta missão tem um pouco essa função de vigiar e de influenciar as coisas no bom sentido e de criar um clima de confiança nos militares” de que quando passarem à reforma não serão abandonados.

Xavier Figueiredo recordou no entanto que todo o processo de reforma requer meios financeiros que foram prometidos mas que até agora não foram entregues.

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