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Computadores detectam o que as pessoas pensam

  • Paulo Faria

Computadores detectam o que as pessoas pensam

Computadores detectam o que as pessoas pensam

Há mais de 100 anos, o psicólogo austríaco Sigmund Freud escreveu sobre como pequenos lapsos de língua podem revelar algo sobre o que uma pessoa está a pensar ao nível do subconsciente – o chamado lapso freudiano. Mas modernos computadores permitem investigadores aprofundar o uso da linguagem e podem mesmo fornecer uma boa indicação de quando alguém está a dizer uma mentira.

Há mais de 100 anos, o psicólogo austríaco Sigmund Freud escreveu sobre como pequenos lapsos de língua podem revelar algo sobre o que uma pessoa está a pensar ao nível do subconsciente – o chamado lapso freudiano. Mas modernos computadores permitem investigadores aprofundar o uso da linguagem e podem mesmo fornecer uma boa indicação de quando alguém está a dizer uma mentira.
Nas conversas diárias assim como na escrita, as pessoas revelam muito sobre as suas personalidades, a sua honestidade e os seus pensamentos não apenas no que elas expressam, mas na escolha das suas palavras. Uma pessoa que estuda estreitamente o assunto é James Pennebaker, um professor de Psicologia da Universidade do Texas e autor do livro “A Vida Secreta dos Pronomes”:
“O que fazem é dizer-nos como é que uma pessoa está a pensar, onde é que está a prestar atenção. Por isso, por exemplo, se eu uso muito a palavra “Eu”, isso diz a um investigador que a pessoa está a prestar muita atenção a ela, aos seus sentimentos e seus pensamentos.”
Enquanto alguém pode muitas vezes basear-se em tais nuances na escolha das palavras em conversas normais para fazer um estudo mais científico, o professor Pennebaker e os seus alunos fornecem grandes quantidades de material escrito a um computador para serem analisados por um programa destinado a reconhecer padrões do uso das palavras.
Um dos mais prometedores usos desta análise da linguagem está na detecção da mentira. Pennebaker diz que a análise do uso de palavras funcionais - pronomes, artigos, preposições e conjunções – pode dar aos investigadores uma muito boa indicação se alguém está a mentir ou a esconder alguma coisa:
“O que descobrimos é muito consistente: quando as pessoas dizem a verdade usam a palavra “Eu” a níveis mais elevados. Eles estão a corroborar o que estão dizendo. Quando estão a mentir tendem a não usar o “Eu”. Estão quase a evitar a auto-referência.”
O professor Pennebaker adverte de que esta técnica está ainda longe de ser um “detector de mentiras” mas poder ser um instrumento útil para os investigadores. Usando um computador, disse, os resultados melhoram. Num estudo, a análise por estudantes de resultados de testes sujeitos para determinar a honestidade forneceram uma precisão de 52 por cento, não muito melhor do que uma probabilidade. Mas a análise por computador do assunto deu uma precisão de 67 por cento.
Muitos dos estudos na Universidade do Texas foram feitos em inglês, mas Pennebaker disse que o programa tem produzido resultados similares usando textos em espanhol, chinês e outras línguas.
Talvez que os escritores antigos tivessem tido um maior cuidado na escolha das suas palavras se soubessem o que poderiam revelar a futuros investigadores. Mas provavelmente teriam aprovado um dos aspectos desta investigação – a capacidade para analisar as suas próprias escolhas de palavras. Apesar de tudo, foi o filósofo Sócrates, da antiga Grécia, citado por Platão, que disse que uma vida não examinada não tem valor.


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