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África com maior risco de doenças transmissíveis, diz a OMS

  • Redacção VOA

Mais vegetais e fruta na dieta

Mais vegetais e fruta na dieta

O cenário poderá ser invertido, bastando parar de fumar, beber com moderação, aumentar a ingestão de frutas e vegetais e tornar-se mais fisicamente activo.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) procura identificar as principais causas da tendência de subida de mortes por doenças não transmissíveis em África.

Até 2020, prevê-se a morte de milhões de pessoas no continente. E a subida é gradual na última década.

Um novo relatório da OMS diz que as ameaças iminentes podem ser previstas porque a maioria dos adultos em África têm pelo menos um factor de risco que aumenta as suas hipóteses de desenvolver uma doença não transmissível com risco de vida, incluindo complicações cardíacas, cancro, diabetes do tipo 2 e doença pulmonar.

Ao ritmo corrente, as mortes por doenças não transmissíveis serão, em 2030, superiores às derivadas pelas infecciosas.

Nos próximos quatro anos, as mortes por doenças não transmissíveis poderão atingir 44 milhões.

Segundo a directora regional para Africa da OMS, Dr Matshidiso Moeti, “nos últimos anos, grande parte da atenção e dos recursos do mundo foi direcionada para ameaças de saúde publica imediatas como as dos vírus emergentes, Zika e Ébola".

Moeti disse que é preciso “recordar que entre as ameaças de saúde pública, como o Zika e o Ébola, não nos podemos esquecer os enormes perigos para a saúde das doenças não transmissíveis, especialmente porque muitas delas podem ser evitadas, através de mudanças de comportamento e estilo de vida”.

Factores de risco

Há quatro factores de risco comportamentais principais apontados pela OMS: uso de tabaco, uso nocivo de álcool, uma dieta pobre e baixos níveis de actividade física.

Em metade dos países africanos pesquisados, um quarto dos adultos apresentava pelo menos três desses factores de risco. A maioria destes adultos eram provavelmente mulheres entre as idades de 45-64.

O uso do tabaco é um dos mais sérios riscos para a saúde mundial, representando mais de 70% dos cancros de pulmão, 40% das doenças pulmonares crônicas e 10% das doenças cardiovasculares.

Na região de África, a prevalência de consumo diário de tabaco entre adultos variou de 5% a 26% (12% em toda a Região).

Em termos do factor dieta, a OMS diz que as pessoas não conseguem comer frutas e legumes suficientes, o que representa cerca de 14% das mortes por cancro gastrointestinal e cerca de 10% das mortes por cardiopatia isquémica e acidente vascular cerebral.

Embora as consequências de tais dietas não saudáveis sejam maiores noutras regiões da OMS, a África subsaariana é paradoxalmente a única região da OMS que sofre do duplo fardo da desnutrição e da obesidade.

Mais frutas e vegetais na dieta

A prevalência de pessoas com excesso de peso variou de 12% em Madagáscar a 60% nas Seychelles, com uma mediana de 35%. As mulheres adultas são provavelmente as que apresentam sobrepeso em comparação com os homens.

O consumo de álcool na região é geralmente baixo. Estima-se que dois terços dos adultos não consumam álcool. A prevalência de beber episódica pesada entre os homens que bebem variou de quase 1% na Gâmbia a 69% no Chade, com uma média de 31%.

Entre os 32 países pesquisados, o tempo médio gasto em actividade física de intensidade moderada ou alta variou de 21 minutos, por dia, na Mauritânia, a 386 minutos por dia, em Moçambique, com uma mediana de 116 minutos num dia típico. Os homens passam mais tempo a fazer exercício do que as mulheres.

E a OMS nota que muito pode ser alcançado através de mudanças de estilo de vida - parar de fumar, beber com moderação, aumentar a ingestão de frutas e vegetais e tornar-se mais fisicamente activo.

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