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África deverá produzir mais e desperdiçar menos, Hélder Muteia, Representante da FAO na CPLP

  • Amâncio Miguel

Hélder Muteia

Hélder Muteia

Erradicação da fome passa por políticas adequadas e uma liderança forte e comprometida.

Os países africanos de expressão portuguesa registaram, nos últimos 20 anos, uma significativa redução da fome, mas precisam de apostar em estratégias que os conduzam a uma agricultura sustentável.

O ponto é apresentado por Hélder Muteia, Representante da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) junto da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, em Lisboa, Portugal.

O ex-ministro moçambicano da agricultura, dá o exemplo de Angola, que em 1992 tinha 63.5 por cento de incidência de fome e hoje tem 14.2; São Tomé e Príncipe passou de 22.9 para 6.6; e Moçambique de 56 para 25 por cento.

“Essas melhorias significativas”, diz Muteia, deverão ser acompanhadas pela adopção de políticas públicas, facilitação do acesso à terra para os agricultores, sistemas de comércio de produtos agrícolas e provimento de crédito para “continuarem a fazer a diferença”.

A FAO, afirma Muteia, tem vindo a colaborar com os governos “no sentido de terem políticas adequadas, mas também uma liderança forte e comprometida para a erradicação da pobreza e fome”.

No geral, a África subsaariana é criticada por, em várias décadas de independência, muitas vezes recorrer à ajuda internacional para a sua alimentação.

O cenário é agudizado pela frequente ocorrência de fenómenos naturais, como o El Nino, que nos últimos anos colocou 40 milhões de pessoas da região em crise alimentar. Moçambique é um dos mais afectados.

Muteia diz, neste aspecto, que a sua organização apoia os países a terem sistemas de aviso prévio, “mas também a criar a capacidade de responder às necessidades imediatas e mostrar caminhos para uma agricultura mais resiliente”.

Além de deficiências na produção agrícola, os países têm o desafio de melhor aproveitar o que conseguem, e tal reflecte-se nos altos índices de desnutrição.

Muteia explica que o desperdício deriva da inexistência de “infraestruturas de armazenagem, transporte e tecnologias de processamento”.

Acompanhe a entrevista no espaço Agenda Africana da VOA, na qual Muteia lança uma advertência: Produzir mais, desperdiçar menos (…) e melhorar a literacia nutricional”.

Hélder Muteia é formado em medicina veterinária pela Universidade Eduardo Mondlane, em Moçambique. Foi ministro da agricultura e desenvolvimento rural de Moçambique, entre 2001 e 2005.

Antes da CPLP, representou a FAO na Nigéria e no Brasil. É poeta.

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