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Administrador do Lobito "beliscado" por construtores

  • João Marcos

Administrador do Lobito Alberto Ngongo

Administrador do Lobito Alberto Ngongo

‘’Nós, no Lobito, temos dito que os grandes constrangimentos de uma autoridade são os metros quadrados” disse Ngongo.

Um ano após a ascensão ao cargo, o administrador do Lobito revelou que está a ser ‘‘beliscado’’ por ter acabado com a cedência de terrenos para construções na zona baixa da cidade.

Ainda que não tenha revelado de onde vêm as pressões, as palavras de Alberto Ngongo relançam o debate relativo ao fraco poder das Administrações Municipais perante o que se convencionou chamar de ordens superiores.

Um dos exemplos de afronta à lei do funcionamento e organização dos órgãos locais do Estado, talvez o mais recente, é a construção de um restaurante na praia do Pequeno Brasil, cidade de Benguela, mesmo sobre a areia.

Já na ponta final, as obras, soube a VOA, chegaram a ser embargadas pela Administração Municipal, já que são vistas como um atropelo ao ordenamento do território.

Mas a medida ficou sem efeito para a surpresa da opinião pública. Daí o desabafo do arquitecto Felisberto Amado, que defende eleições autárquicas e fala em arrogância na governação.

‘’Por capricho de alguém com costas largas aqui no país, essas coisas estão a acontecer. Isto demonstra a forma arrogante como se exerce a governação’’, disse

O jurista Francisco Viena salientou por outro lado que as Administrações nem sempre funcionam mediante o legislado

‘’Havendo incumprimento de embargo administrativo, é legítimo que o senhor. administrador vá ao tribunal”, disse acrescentando que “hoje, é bom lembrar, as administrações funcionam também à luz da vontade do chefe’’.

Numa declaração à Rádio Diocesana de Benguela, Alberto Ngongo acaba por relançar o debate sobre o fraco poder de um administrador municipal

’Nós, no Lobito, temos dito que os grandes constrangimentos de uma autoridade são os metros quadrados” disse.

Eu sou administrador há um ano, (…) já comecei a ser ‘beliscado’. Já não há espaço na parte baixa, a zona urbana, porque temos de preservar os mangais, mas as pessoas não gostam de ouvir o não’’, acescentou

E foi justamente sobre os mangais, o habitat dos flamingos, que surgiram obras de grandes grupos económicos, como são os casos do edifício da seguradora AAA, da DT Angola e de tantas outras.

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