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Trabalhadores do Porto do Lobito sem salários há três meses

  • João Marcos

Lobito

Lobito

Sindicato acusado de ser impotente para reivindicar os direitos dos trabalhadores.

Trabalhadores do Porto do Lobito, uma das maiores empresas de Angola, estão sem salários há três meses devido ao fraco movimento de mercadorias.

Vive-se uma espécie de revolta silenciosa neste estabelecimento do Corredor Económico, com a Comissão Sindical a ser acusada de impotente para reivindicar direitos.

Depois do Instituto de Fomento do Emprego, que procedeu já ao pagamento dos salários atrasados, vêm à tona os três meses de salários em atraso na Empresa Portuária do Lobito, praticamente sem movimento de embarcações.

Com a crise das divisas, baixaram os níveis de importação, ficando o Porto sem capacidade financeira para manter o regular pagamento de ordenados.

A Comissão Sindical, conforme informações disponíveis, pouco ou nada faz para pressionar a entidade empregadora, contrariamente ao que se verificava num passado recente, com ameaças de greve em cadernos reivindicativos que exigiam aumentos e melhores condições de trabalho.

A VOA tentou via telefone obter reacções da direcção da empresa, mas sem sucesso.

Não falou a empresa de Anapaz de Jesus Mendes, mas falou o consultor social Misselo da Silva, da Organização Humanitária Internacional.

"Vamos ter desestruturação familiar, uma vez que as famílias vão ficando sem capacidade de aquisição. Basta dizer que vemos crianças nas ruas e que o trabalho infantil é uma realidade’’, sustenta o analista.

Indiferente às causas dos atrasos, o consultor endereça recados ao Governo, que "deve deixar de violar o direito, porque o salário é um direito consagrado na Constituição".

Para Silva, "é urgente, portanto, que os sindicatos façam qualquer coisa, devem pedir contas’’.

Quem sofre com o regresso da crise dos salários prefere não acreditar que existam filhos e enteados numa Angola que se diz comprometida com o combate à pobreza

"Só a Saúde e a Educação recebem com alguma regularidade, os outros (funcionários) são marginalizados. O Governo sabe que uma greve na Educação e na Saúde é motivo de notícia em vários cantos do mundo’’, sustenta um trabalhador de um instituto público que pediu o anonimato.

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