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Trabalhadores do Porto do Lobito não têm comida e os filhos estão a ser expulsos dos colégios

  • João Marcos

Aspecto da cidade do Lobito

Aspecto da cidade do Lobito

"Prometeram produzir mais para distribuir melhor. Vemos, hoje, que estão a distribuir mais desemprego, mais pobreza".

Após várias ameaças, trabalhadores do Porto do Lobito, em Benguela, paralisaram as suas actividades na manhã de Terça-feira, 23, num protesto contra quatro meses de salários em atraso.

Um grupo de funcionários da área técnica manifestou-se à porta da Administração da Empresa para obter explicações sobre uma realidade que, conforme as queixas, deixa centenas de famílias sem alimentos.

Há muito que a queda das importações, um reflexo da escassez de divisas, é apontada como causa para os problemas financeiros no Porto do Lobito.

Os funcionários até reconhecem que não há produção, mas não acreditam que não se possa fazer mais.

‘’Atenção que não é greve, queremos reivindicar os nossos salários, por isso paralisámos os trabalhos. Não temos comida, os nossos filhos estão a ser expulsos dos colégios’’, sustenta um dos funcionários.

Em momento de aperto, há quem coloque sobre a mesa uma frase inúmeras vezes pronunciadas pelo Presidente José Eduardo dos Santos

‘’Proteger as famílias e a cesta básica, mas não é isso que acontece. Ninguém nos defende, nem a direcção, nem a Comissão Sindical’’, lamenta um outro portuário.

Os mais de dois mil trabalhadores ficaram a saber que a empresa deverá proceder ao pagamento de pelo menos um mês até amanhã.

À Rádio Mais, o director do Gabinete de Comunicação e Imagem, Domingos Isata, afirmou que o contexto do país está na base desta situação.

‘’Infelizmente, é o reflexo do que se passa no país. São cortes até a nível do Orçamento Geral do Estado, para além da baixa nas importações por falta de divisas’’, esclarece Isata, que promete para os próximos tempos a solução de parte do problema.

Coincidência ou não, esta crise foi analisada dois dias antes, justamente no Lobito, pelo secretário-geral da UNITA, Franco Marcolino Nhany, que colocou o acento tónico na questão do trabalhador angolano.

‘‘Prometeram produzir mais para distribuir melhor. Vemos, hoje, que estão a distribuir mais desemprego, mais pobreza, mais mortes e mais doenças’’, salienta o político.

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