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Venda do BCI gera suspeitas de nova elite empresarial em Angola


Agência do Banco de Comércio e Indústria, Benguela, Angola

Novo dono do Banco de Comércio e Indústria chega à banca com duas garantias soberanas assinadas por João Lourenço. 

A venda do Banco de Comércio e Indústria (BCI) à empresa Carrinho Empreendimento, agora sociedade anónima, está a ser associada a uma estratégia de transferência do património do Estado para figuras ligadas ao MPLA, partido no poder em Angola, numa terceira vaga de privatizações.

O preço da venda, a primeira através de leilão em bolsa em Angola, e o vencedor, que beneficiou de duas garantias soberanas, num total de 114.3 milhões de euros, estão a alimentar a polémica.

Dúvidas sobre privatização do BCI – 3:02
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Um dos maiores importadores de Angola, ganhou notoriedade após ter investido, há dois anos, 600 milhões de dólares norte-americanos em 17 fábricas, 15 de vocação alimentar, instaladas em Benguela.

Benguela com amostras de uma "fome real", não "relativa"
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Depois, a Carrinho Empreendimento, SA, que teve o Presidente João Lourenço na inauguração do seu complexo industrial, recebeu garantias soberanas para a aquisição de matéria-prima para as unidades de produção.

Chegou à banca, agora, graças a um investimento de 29,3 milhões de dólares, valor que está na base de discussões em diversos quadrantes, com comentários no sentido de um montante longe do que efectivamente poderia render ao Estado.

Informações recolhidas pela VOA indicam que a empresária Leonor Carrinho e os seus filhos, Nelson, Rui e Elsa são algumas das figuras que fazem parte da estrutura accionista desta sociedade anónima.

O analista político Alexandre Solombe vai mais longe, mas começa por criticar a venda do BCI, banco comercial com 100% de capitais públicos, sem um levantamento sobre o valor de mercado.

“Estamos a viver uma terceira vaga de privatização dos bens do Estado a ‘preço de igreja’. Um grupo de indivíduos do mesmo partido político está a abocanhar tudo, fazendo perceber esta transferência para a nova elite que o Presidente João Lourenço quer constitui”, assinala Solombe, acrescentando que “esta elite é fora dos marimbondos”.

Com vários prejuízos somados nos últimos anos, daí os milhões que o Banco Nacional de Angola desembolsou para a sua recapitalização, o BCI tem mais de 1100 trabalhadores espalhados pelos 82 balcões no país.

Em entrevista à VOA, o presidente do Sindicato Nacional dos Empregados Bancários, Filipe Segundo, acha normal haver insegurança entre a classe que muda de patrão.

“O próprio decreto diz que se vai salvaguardar o vínculo contratual dos trabalhadores, só haverá mudança da entidade patronal. Mas não posso garantir que os trabalhadores estão tranquilos, vamos falar com o IGAPE para termos outras garantias”, avança o sindicalista.

Esta e outras questões foram colocadas pela VOA à Carrinho Empreendimentos, que prometeu responder nos próximos dias.

Numa nota distribuída à imprensa, diz que o BCI vai apoiar a agricultura familiar.

Não há qualquer informação oficial, nem mesmo da BODIVA (Bolsa de Valores de Angola), sobre o valor de mercado do banco criado em 1991, mas analistas sublinham que o preço da venda poderia ter sido mais elevado.

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