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Unidade do hospital de Benguela "privatizada"

  • João Marcos

Pediatria do Hospital Municipal de Benguela

Ministro da Saúde afirma que operações do género são ilegais.

O Hospital Geral de Benguela (HGB) transformou uma enfermaria em clínica privada sem respaldo legal, mas não consegue dar resposta até mesmo à falta de material consumível como luvas e agulhas.

Vários utentes dizem que a área de consultas externas, embora com preços ao alcance da maioria, também foi privatizada

Há dias, a enfermaria nº 4 destinava-se a casos de oftalmologia e otorrino, agora é uma clínica que cobra, ao câmbio oficial, 100 dólares dia para internamentos.

Técnicos de saúde, entre os quais funcionários do próprio HGB, dizem que a transformação não tem reflexos na prestação de serviços, uma vez que prevalece a carência até mesmo do básico, para não falar da escassez de medicamentos.

Sem ter falado especificamente de Benguela, o ministro da Saúde, Luís Gomes Sambo, esclareceu já que, não havendo uma lei que regule o funcionamento de clínicas em unidades públicas, operações do género são ilegais.

Agora, com o assunto na ordem do dia, critica o cidadão que tem de ficar sete meses à espera para resolver o problema de saúde

“Tenho marcado consultas, pagando acima de 10 mil kwanzas, mas sem êxitos. Neste momento, aqui (consultas externas) o serviço também é privado, já não é público’’, reclama António Chimbili, enquanto Domingos Branco diz que ‘’a doença não espera’’.

Ouvido pela Voz da América, o jurista Francisco Viena diz que “o egoísmo do dirigente angolano’’ está acima da lei e questiona os benefícios para o Estado.

“Aqui há uma atitude deliberada de má fé, um comportamento de aproveitamento para enriquecimento sem justa causa. Há uma norma legal que define que os hospitais públicos seguem fins públicos’’, sustenta o jurista.

O director da Saúde e o administrador do Hospital de Benguela, Bernabé Lemos e Eduardo Kedisobua, respectivamente, não quiseram prestar esclarecimentos à VOA.

Num congresso internacional promovido pela maior unidade sanitária da província, autónoma administrativa e financeiramente, a vice-governadora para a esfera política e social, Laurinda Baca, disse que tem verificado melhorias nos últimos tempos.

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