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Trabalhadores afastados do Porto do Lobito aguardam por indemnização há 20 anos

  • João Marcos

Porto do Lobito, Benguela

São membros da UNITA e dizem ter sido afastados por motivos políticos

A maior parte dos 2.015 militantes da UNITA expulsos do Porto do Lobito, em Benguela, há mais de 20 anos ainda sonha com o regresso à empresa, embora ciente de que o processo está ‘’encalhado’’ na Presidência da República.

Em nome da cidadania, o antigo deputado Afonso Hungulo ‘’Suba Suba’’, um dos trabalhadores afastados por questões políticas, espera que os grevistas não tenham o mesmo destino por causa das suas reivindicações.

Hoje, reduzido por força da morte de mais de 700 antigos portuários, o grupo tenciona, no pior dos cenários, receber alguma indemnização.

‘’Espero que o Governo e a direcção da empresa não lhes maltratem como fizeram connosco. Temos o saldo de 750 mortos, os que estão em vida não trabalham, é triste porque somos todos angolanos. Temos falado com o presidente Samakuva mas isto não depende dele, não sabemos se nos vão chamar ou se vão indemnizar. Está tudo parado’’, revela.

Afonso Hungulo ‘’Suba Suba’’, que esteve em Benguela há uma semana para contactos com antigos funcionários, considera que o Porto do Lobito já não tem a dimensão de uma grande empresa

‘’Agora piorou porque está fechado, danificado e com armazéns partidos. A empresa está dividida em ilhas, algo que não acontecia no nosso tempo, é um cenário triste’’, lamenta o antigo trabalhador.

Futuro do Porto

Em tempo de aperto, o ideal, sugere o vice-governador de Benguela para a área económica, Gika Morais, é fazer alguns ajustes.

"As empresas são como elástico, elas ajustam-se e depois comprimem-se. Então, neste momento menos bons, o Porto tem de ter estratégias para ajustar os custos operacionais às suas receitas’’, aponta o governante.

O Porto do Lobito conta com dois mil funcionários, abaixo da metade do que existia na altura da expulsão dos militantes da UNITA, agora nas mãos do Presidente João Lourenço, nomeado para comissário de Benguela pouco depois da polémica.

Sabe-se que duas empresas privadas, já com operações no Porto de Luanda, vão assumir concessões de infra-estruturas adstritas à Empresa Portuária do Lobito.

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